Segundo a publicação russa RT, o serviço de inteligência do país (FSB) interceptou uma conversa de altos comandantes militares da Alemanha em que eles discutem o bombardeio à infraestrutura dos russos.
Participam da conversa o inspetor da Força Aérea alemã, Ingo Gerhartz, o chefe da direção de operações e exercícios do Comando da Força Aérea, Frank Gräfe, além de outros dois militares não identificados.
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Na conversa sobre a Rússia, eles consideram um bombardeio à "Ponte do Leste", uma referência à ponte de Kerch, que liga a península da Crimeia à parte continental da Rússia (território reclamado pela Ucrânia e conquistado na guerra iniciada em 2022).
A conversa ocorreu em 19 de fevereiro de 2024 entre vários altos funcionários das Forças Armadas da Alemanha (a Bundeswehr).
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Na primeira parte da conversa, os militares questionam a resistência do primeiro-ministro Olaf Scholz a entregar mísseis de cruzeiro Taurus para o exército ucraniano.
"Sim, isso não mudará o curso das hostilidades. Por isso, não queremos entregá-los todos. E não todos ao mesmo tempo. Talvez 50 no primeiro lote e depois, talvez, outro lote de 50 mísseis", disse um militar.
"Eu soube por parte dos meus colegas franceses e britânicos que a situação com os mísseis Storm Shadow e Scalp é semelhante à das carabinas Winchester. Eles vão falar: 'Por que deveríamos fornecer mais mísseis se já o fizemos, que a Alemanha faça agora?'", diz Gerhartz no áudio, segundo a RT.
Depois, um oficial afirma que a Alemanha poderia sugerir o ataque de "objetivos interessantes" para os ucranianos, através dos mísseis Taurus.
"A ponte no leste é difícil de alcançar, sendo um alvo pequeno, mas o Taurus poderia alcançá-la, e também poderia atingir os depósitos de munições", afirma.
"Não estou sugerindo a ideia da ponte, apenas quero entender pragmaticamente o que eles querem. E o que devemos ensiná-los", explica. "Podem ser necessários mais de 10 ou 20 mísseis. Eles apenas conseguirão fazer um buraco e danificar a ponte", relata a RT.
A porta-voz do ministério de Relações Exteriores da Rússia, Maria Zajarova, afirmou que a conversa pode levar à quebra de relações diplomáticas. "A imprensa alemã tem uma boa razão para demonstrar sua independência e fazer perguntas a ela. E nossa imprensa tem um tema atual para discutir com a Embaixada alemã em Moscou", escreveu em seu canal de Telegram.
Serguei Lavrov, chefe da pasta, afirmou que não se surpreendeu. "Conhecemos com certeza a participação de militares da OTAN que se disfarçam de mercenários ou de outras pessoas não pertencentes às forças armadas dos países da OTAN", afirmou durante o Fórum Diplomático de Antalya (Turquia).