ANÁLISE

Berzoini: Há uma campanha para convencer o povo que há uma hiperinflação dos alimentos

Ao Fórum Onze e Meia, ex-ministro comentou sobre preço dos alimentos e a nova iniciativa do governo Lula para enfrentar o desafio

Ex-ministro Ricardo Berzoini.Créditos: Marcelo Camargo/Agencia Brasil
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O Fórum Onze e Meia desta quinta-feira (13) recebeu o ex-ministro do Trabalho, das Comunicações, da Previdência Social e das secretarias de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini (PT), para analisar questões relacionadas ao governo Lula, como a alta do preço dos alimentos, principal desafio do governo neste e no próximo ano, e a nova medida do presidente para conter a alta, como zerar impostos de importação. 

Para Berzoini, há uma campanha da mídia para convencer o povo brasileiro de que há uma hiperinflação de alimentos. O ex-ministro afirmou que, apesar do café, do azeite de oliva e da carne terem subido bastante de preço, os demais alimentos não estão subindo tanto. O arroz e o feijão caíram de preço. São dados das instituições de pesquisa, não apenas o IBGE, mas o DIEESE e outros. A cesta básica, se você pegar o dado do site do DIEESE, não subiu muito acima da inflação nos últimos 24 meses", disse. 

O ex-ministro também pontuou que a medida anunciada pelo presidente Lula de zerar impostos de importação de alguns alimentos, em relação aos itens que realmente subiram, como milho, azeite e café, é "correta", mas também "limitada".

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"Porque não há disponibilidade do mercado internacional de grandes quantidades. Café, por exemplo, são poucos produtores em todo mundo: Brasil, Colômbia, Vietnã, Laos, Indonésia, até a China produz café, só que ela produz menos de 10% do que consome. Então, não há essa disponibilidade. Pode entrar alguma coisa com menor alíquota de importação? Pode. Mas para um país de 210 milhões de habitantes, o impacto tende a ser pequeno", avaliou Berzoini. 

O ex-ministro acrescentou que está apostando mais em uma estabilização dos preços dos produtos que subiram além da inflação e, talvez, até numa queda no segundo semestre. Berzoini afirmou que uma alternativa seria limitar a exportação, como alguns países fazem, a 40%. Ele indicou, porém, que o Brasil não tem essa regra hoje e dificilmente ela seria aprovada no Congresso. 

Anistia para os golpistas de 8 de Janeiro

Nesta quarta (12), o governo Lula entrou em alerta após o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) alcançar ainda mais apoio para aprovação da anistia aos golpistas de 8 de Janeiro. Em relação ao fato, Berzoini relatou que tem uma posição muito "peculiar" ao defender que o governo não deveria interferir nesta pauta. 

Para o ex-ministro, quem deve participar do debate é o Ministério Público, a Procuradoria-Geral da República (PGR), o Supremo Tribunal Federal (STF) e a sociedade civil. 

"A anistia significa, na verdade, legalizar o vandalismo golpista. [O 8 de Janeiro] não foi só vandalismo e não foi só golpe. Foi o vandalismo golpista, ou seja, entraram na sede dos Três Poderes e destruíram o patrimônio público. Não importa se o cidadão estava lá mais avisado ou menos avisado, ele tem que saber que não é legal você depredar, inclusive obras de arte que pertencem à União, seja no Supremo, no Congresso ou no Palácio do Planalto", disse Berzoini. 

Nesse sentido, o ex-ministro defendeu que a sociedade precisa se manifestar diante de uma possível aprovação da anistia. Ele afirmou que os parlamentares que votarem a favor estão acreditando na tese do esquecimento e da complacência com o corrido, e a sociedade deve mostrar que não esqueceu e deseja a punição correta aos golpistas. 

No entanto, ele afirmou que o governo em si "não deveria gastar nenhum centavo de capital político" com a questão. Berzoini ainda pontuou que, apesar de o governo não interferir, os partidos como PT, PCdoB e PSOL, além dos de centro, como MDB e União Brasil, devem disputar a votação. 

Confira entrevista completa do ex-ministro Ricardo Berzoini ao Fórum Onze e Meia

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