Belém (PA) será o centro de debates sobre justiça climática durante a COP30, que ocorre entre os dias 10 e 21 de novembro deste ano. Paralelamente às reuniões oficiais, a capital paraense também receberá a Cúpula dos Povos, entre os dias 12 e 16 de novembro. O evento reunirá movimentos sociais para discutir questões ambientais e pressionar governos por políticas mais justas.
De acordo com a organização, mais de 500 organizações nacionais e internacionais já estão mobilizados para o encontro, que se inspira na Cúpula dos Povos da Rio+20, realizada em 2012. A iniciativa será estruturada em seis eixos principais, abordando temas como soberania popular, reparação histórica, transição justa, defesa da democracia, direito a cidades mais equitativas e o protagonismo das mulheres na luta socioambiental.
Te podría interesar
Para Caetano Scannavino, coordenador do Projeto Saúde e Alegria e representante do Observatório do Clima, a crise climática vai além das emissões de carbono. "O problema é sistêmico. O debate da cúpula não se limita à COP30, pois integrar pautas sociais e ambientais é essencial", afirmou.
Te podría interesar
Além dos debates, a Cúpula dos Povos pretende pressionar a ONU e o governo brasileiro para restringirem a influência de lobistas da indústria de combustíveis fósseis nas negociações climáticas. Esse lobby tem sido crescente em edições anteriores da COP, como em Dubai (COP28) e Baku (COP29), onde representantes do setor foram incluídos nas delegações oficiais de diversos países.
Para Thuane Nascimento, do Perifa Connection e da Coalizão Negra por Direitos, a Cúpula será fundamental para ampliar a mobilização da sociedade civil. “Esse será um espaço importante não só para os movimentos climáticos, mas para toda a luta do povo brasileiro. Precisamos popularizar a COP, pois as decisões tomadas lá impactam diretamente nossa vida, seja no calor extremo ou nas enchentes", destacou.
Já Francisco Kelvim, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), ressalta que o evento se manterá independente. “A Cúpula surge da necessidade de sermos ouvidos e considerados nas decisões. Nossa principal estratégia será a mobilização”, afirmou.
Realizada desde 1992, a Cúpula dos Povos se consolida como um espaço autônomo voltado à justiça social e ambiental, reunindo diferentes movimentos para fortalecer a articulação entre vida, direitos e territórios.
Leia na integra o manifesto da Cúpula dos Povos aqui