CHINA EM FOCO

China responde provocações de secretário dos EUA: "verdadeiramente desconcertante"

Pete Hegseth afirmou que aliado dos EUA tem mentalidade de "guerreiro"

Guo Jiakun, um dos porta-vozes do ministério de Relações Exteriores
Guo Jiakun, um dos porta-vozes do ministério de Relações ExterioresCréditos: DIvulgação/MFA
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O ministério de Relações Exteriores da China respondeu de maneira dura às provocações do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, acerca da parceria militar entre Japão e os EUA no Indo-Pacífico.

Durante uma conferência no Japão neste fim de semana, Hegseth afirmou que o Japão é um "parceiro indispensável dos EUA" para "dissuadir a agressão militar comunista chinesa”.

Nesta segunda-feira (31), o porta-voz Guo Jiakun,  do Ministério de Relações Exteriores da China, afirmou que algumas das afirmações do secretário de Defesa dos EUA são "verdadeiramente desconcertantes".

"A China sempre acredita que a cooperação militar e de segurança entre os EUA e o Japão não deve ter como alvo nenhum país terceiro ou colocar em risco a paz e o desenvolvimento regionais. Ao chamar a China de "ameaça" e usá-la como pretexto, os EUA têm instigado o antagonismo ideológico, instigando divisão e o confronto, e até mesmo incitando certos países a serem a bucha de canhão da supremacia dos EUA", afirmou Guo Jiakun.

"Os países da região precisam ficar em alerta máximo e se proteger contra tal prática. Este ano marca o 80º aniversário da vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e na Guerra Mundial Antifascista. O Japão, em particular, precisa aprender com a história e ser prudente nas áreas militar e de segurança", completou.

Entenda um pouco das relações China-Japão

As relações entre a China e o Japão nos últimos dois séculos foram marcadas pelo imperialismo japonês na China. Durante a Segunda Guerra Mundial, as forças do Imperador Hirohito cometeram assustadores crimes de guerra contra o povo chinês, em eventos que ficarão para sempre marcados na história do país, como o Massacre de Nanquim.

Entre 1937 e 1945, as forças japonesas mataram cerca de 4 milhões de chineses em operações de guerra, massacres contra civis, além de outros crimes, incluindo violência sexual de guerra e escravidão forçada.

Após a Segunda Guerra Mundial, o Japão foi proibido de ter um arsenal ofensivo pela Constituição pacifista de 1947, imposta pelos EUA. No entanto, as memórias dos crimes cometidos pelo Japão na China continuam sendo um ponto sensível nas relações sino-japonesas.

Foi apenas nos anos 1970 que as relações entre os países foram restabelecidas e, ao longo destes anos, atravessaram momentos de tensão e cooperação.

Leia: China e Japão em rota de colisão: tensão política e disputas estratégicas no Indo-Pacífico

Tensões e rearmamento

Desde então, uma parte da sociedade japonesa deseja rearmar o Japão. Em especial depois da ascensão da China ao status de superpotência, muitos setores extremistas da sociedade nipônica clamam pela capacidade ofensiva do Japão para confrontar a China.

O discurso de Hegseth, implicando uma "mentalidade de guerreiro" entre os japoneses pode dar ânimos a estes movimentos políticos dentro do país, que faz parte da aliança estratégica militar dos EUA, junto com Coreia do Sul e Filipinas para pressionar os chineses no Mar do Sul da China.

Sobretudo, o uso de Taiwan como ponta de lança para fomentar este tipo de conflito tem sido essencial para os discursos dos EUA e seus aliados sobre o tema.

A premissa de provocar Pequim com um ataque ao princípio de Uma Só China foi duramente criticada pelo porta-voz do Ministério de Relações Exteriores.

"A questão de Taiwan é puramente um assunto interno da China. Resolver a questão de Taiwan é um assunto para os próprios chineses, no qual ninguém pode interferir. Instamos certas pessoas nos EUA a desistirem da ilusão de "usar Taiwan para conter a China", respeitarem o princípio de uma só China e os três comunicados conjuntos China-EUA com ações concretas e honrarem o compromisso assumido pelos EUA em questões relacionadas a Taiwan. O Japão cometeu agressão contra Taiwan e exerceu domínio colonial sobre a ilha. Ele carrega sérias responsabilidades históricas para com o povo chinês. O Japão deve respeitar os princípios dos quatro documentos políticos entre a China e o Japão, agir com prudência na questão de Taiwan e abster-se de enviar sinais errados às forças separatistas", completou Guo Jiakun.

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