VIOLÊNCIA

Palestino vencedor do Oscar é agredido por colonos israelenses e preso na Cisjordânia

Episódio ocorreu em meio a mais um ataque de dezenas de colonos no território ocupado, segundo ativistas israelenses que registraram a ação; paradeiro do diretor de 'No Other Land', Hamdan Ballal, é desconhecido

Registro do ataque dos colonos israelenses feito por Anna Lipman e divulgado por Yuval Abraham
Registro do ataque dos colonos israelenses feito por Anna Lipman e divulgado por Yuval AbrahamCréditos: Reprodução
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Colonos israelenses espancaram um dos diretores palestinos do filme vencedor do Oscar e Melhor Documentário Nenhuma Outra Terra (No Other Land) na Cisjordânia ocupada nesta segunda-feira (24). Hamdan Ballal foi detido por militares das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês).

O episódio ocorreu em meio a mais um ataque de dezenas de colonos na Cisjordânia, desta vez na vila palestina de Susiya, na área de Masafer Yatta. A denúncia da agressão e prisão de Ballal foi feita por ativistas de Israel e por outro dos diretores do filme, o isralense Yuval Abraham.

"Um grupo de colonos acabou de linchar Hamdan Ballal, codiretor do nosso filme no other land. Eles o espancaram e ele tem ferimentos na cabeça e no estômago, sangrando. Soldados invadiram a ambulância que ele chamou e o levaram. Nenhum sinal dele desde então", disse Abraham em uma postagem no X às 15h15, horário de Brasília.

O diretor israelense também postou um vídeo feito por Anna Lipman, mostrando um colono mascarado, que segundo ele faz parte do grupo de linchamento que atacou o vilarejo. Confira aqui.

Carro destruído e agressão

De acordo com Ballal, a localização de Hamdan ainda é desconhecida. O ataque causou um sangramento na cabeça do diretor palestino, segundo testemunhas. E enquanto ele estava sendo tratado em uma ambulância, os soldados da IFD o detiveram, além de prenderem também outro homem palestino.

Conforme a Associated Press, o exército israelense afirmou que estava investigando o episódio, mas não comentou quando questionado.

“Eles começaram a atirar pedras nos palestinos e destruíram um tanque de água perto da casa de Hamdan”, disse Joseph, um dos ativistas do Centro para a Não Violência Judaica (Center for Jewish Nonviolence), ao The Guardian. Ele pediu para não usar seu nome completo por razões de segurança.

''Os colonos destruíram seu carro [de Hamdan] com pedras e cortaram um dos pneus'', disse outra testemunha, Raviv, ao site britânico. ''Todas as janelas e para-brisas foram quebrados.''

Violência na Cisjordânia

Entre 7 de dezembro de 2024 e 13 de março deste ano, operações militares israelenses na Cisjordânia ocupada levaram à morte de 123 palestinos, enquanto 10 israelenses foram mortos.

A violência dos colonos israelenses continua provocando deslocamentos de comunidades palestinas.

A coordenadora especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, Sigrid Kaag, relatou na sexta-feira (21) que autoridades de planejamento israelenses avançaram ou aprovaram cerca de 10.600 unidades habitacionais em assentamentos na Cisjordânia ocupada, incluindo 4.920 em Jerusalém Oriental. Demolições e apreensões de estruturas de propriedade palestina também aumentaram na região.

“Alegando a falta de licenças de construção emitidas por Israel, que são quase impossíveis de serem obtidas pelos palestinos, as autoridades israelenses demoliram, apreenderam, lacraram ou forçaram as pessoas a demolir 460 estruturas, deslocando 576 pessoas, incluindo 287 crianças e 149 mulheres”, aponta.

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