Mesmo com a condenação internacional após a nova ofensiva militar contra Gaza, colocada em prática após o fim do cessar-fogo, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu disse que o ataque devastador de Israel a Gaza foi "apenas o começo" e que a os bombardeios continuariam até que os reféns fossem libertados.
Os ataques desta terça-feira (18) foram os mais intensos de Israel desde que o cessar-fogo entrou em vigor em 19 de janeiro. O Ministério da Saúde palestino relatou pelo menos 404 pessoas mortas e 562 feridas.
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“Netanyahu e seu governo extremista estão tomando a decisão de anular o acordo de cessar-fogo, expondo os prisioneiros em Gaza a um destino desconhecido”, disse o Hamas em um comunicado. O grupo convocou as pessoas em nações árabes e islâmicas, junto com as “pessoas livres do mundo”, a irem às ruas para protestar contra o ataque.
O Fórum de Reféns e Famílias Desaparecidas, que representa as famílias dos reféns mantidos em Gaza pelo Hamas, disse em uma publicação no X que a decisão do governo israelense de lançar novos ataques mostrou que ele havia escolhido "desistir dos reféns".
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'Tragédia à tragédia'
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou em um comunicado emitido por seu porta-voz que estava “chocado” com o ataque israelense. Ele apelou "veementemente para que o cessar-fogo seja respeitado, para que a assistência humanitária sem impedimentos seja restabelecida e para que os reféns restantes sejam libertados incondicionalmente.”
Já o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, expressou seu horror diante dos intensos ataques israelenses. “Isso adicionará tragédia à tragédia”, disse, em uma declaração. Segundo ele, a ofensiva militar iria “apenas acumular mais miséria sobre uma população palestina que já sofre condições catastróficas”.
Cenas de horror
O repórter da Al Jazeera Hani Mahmoud está na Cidade de Gaza e relatou a situação dramática no local após os ataques promovidos por Israel.
"Como um membro da equipe de Defesa Civil nos descreveu, eles tiveram que literalmente coletar pedaços de pessoas que foram mortas em áreas próximas, incluindo os corpos de crianças e mulheres", descreve. "Está muito calmo aqui no pátio do hospital, mas dentro das enfermarias é uma luta para a equipe médica, que tem trabalhado o dia todo, intervindo e tentando atender o máximo de casos possível."
Ao detalhar o cotidiano no hospital, Mahmoud ressalta que muitos dos feridos e pessoas doentes ??não serão tratados no hospital local porque os médicos tiveram que escolher quais casos atender primeiro. "Isso é, por si só, um elemento que vem afetando o bem-estar mental e físico da equipe médica e dos familiares sobreviventes no hospital", aponta.