OFENSIVA

Ataques de Trump contra os houthis: maioria dos mortos são mulheres e crianças, aponta Iêmen

Após tenente-general estadunidense ter afirmado que não havia "nenhuma indicação confiável de vítimas civis", Unicef confirmou a morte de pelo menos duas crianças, de 6 e 8 anos

Presidente dos EUA, Donald Trump, postou mensagens ameçando o Irã em sua rede Truth Social
Presidente dos EUA, Donald Trump, postou mensagens ameçando o Irã em sua rede Truth SocialCréditos: Gage Skidmore/Flickr
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Segundo informações do Ministério da Saúde do Iêmen, os ataques aéreos realizados pelos Estados Unidos contra os houthis, no Iêmen, neste final de semana, tiveram como maiores vítimas mulheres e crianças.

A ofensiva militar atingiu oito províncias, incluindo a capital Sanaa, e matou 53 pessoas, de acordo com os dados oficiais, sendo 31 delas civis. Mais de 100 pessoas ficaram feridas. "A maioria deles eram crianças e mulheres", disse o porta-voz do Ministério da Saúde iemenita Anis al-Asbahi ao Drop Site, neste domingo (16). Ele observou ainda que as equipes de resgate estavam retirando vítimas dos escombros, e o número de mortos provavelmente aumentaria.

O tenente-general estadunidense Alexus Grynkewich, diretor de operações do Estado-Maior Conjunto, afirmou a repórteres nesta segunda-feira (17) que não havia "nenhuma indicação confiável de vítimas civis" nos ataques em andamento no Iêmen. Contudo, logo em seguida, ele foi desmentido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Em uma postagem no X, a organização verificou que pelo menos dois meninos, de seis e oito anos, foram mortos em ataques dos EUA em Saada, no Iêmen, no sábado. A Unicef disse ainda que uma terceira criança havia sido ferida nos ataques em Saada e a condição de uma quarta criança ainda não havia sido confirmada.

Ameaças de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escreveu em sua plataforma Truth Social no sábado (15) que "ordenou que as Forças Armadas dos Estados Unidos lançassem uma ação militar decisiva e poderosa" contra os houthis, que "travaram uma campanha implacável de pirataria, violência e terrorismo contra navios, aeronaves e drones americanos e de outros países".

"A resposta de Joe Biden foi pateticamente fraca, então os houthis desenfreados simplesmente continuaram", postou ainda Trump, referindo-se à série de ataques realizados por seu antecessor democrata com a Grã-Bretanha e Israel que supostamente mataram pelo menos dezenas de combatentes e pelo menos um civil. "Já faz mais de um ano que um navio comercial com bandeira dos EUA navegou com segurança pelo Canal de Suez, o Mar Vermelho ou o Golfo de Áden."

Em suas publicações, Trump ainda enviou uma mensagem ao Irã, que apoia os houthis. "O apoio aos terroristas Houthi deve acabar IMEDIATAMENTE! NÃO ameacem o povo americano, seu presidente, que recebeu um dos maiores mandatos da história presidencial, ou as rotas de navegação do mundo todo. Se fizerem isso, TENHAM CUIDADO, porque a América os responsabilizará totalmente e não seremos gentis sobre isso!", ameaçou.

Após a ofensiva, os houthis afirmaram ter lançado drones e mísseis no USS Harry Truman, porta-aviões movido a energia nuclear, no Mar Vermelho, e outras embarcações em seu grupo de porta-aviões. Os militares estadunidenses disseram que nenhum de seus navios de guerra foi atingido e que os aviões de guerra do país abateram todos os drones que chegavam.

"Afirmamos que esta agressão não impedirá o povo iemenita de continuar apoiando a Palestina e de cumprir seus deveres religiosos e humanitários em apoio ao povo de Gaza, sua resistência e seus heroicos combatentes", apontou o líder do movimento Ansar Allah, em um comunicado.

Resposta do Irã

Ao Conselho de Segurança da ONU, o governo do Irã afirmou que o presidente Trump e outras autoridades dos EUA fizeram "declarações imprudentes e provocativas", levantando "acusações infundadas" e ameaçaram o uso da força contra Teerã.

"O Irã rejeita firme e categoricamente qualquer acusação de violação de resoluções relevantes do Conselho de Segurança sobre embargos de armas no Iêmen ou envolvimento em quaisquer atividades desestabilizadoras na região", escreveu o embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, em uma carta vista pela agência de notícias Reuters.

Com informações do Common Dreamns e Al Jazeera.

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