Em artigo disponível para pré-publicação e ainda não avaliado em revisão por pares, pesquisadores italianos afirmam ter identificado, a partir de tecnologia de sensoriamento por radar, uma "cidade subterrânea" sob as Pirâmides de Gizé, a maior e mais antiga estrutura da Necrópole de Gizé, construída como túmulo para o faraó Quéops, que reinou durante a Quarta Dinastia Egípcia [entre 2.560 a.C. e 2.494 a.C.].
A "vasta cidade subterrânea", como é descrita pelos pesquisadores, teria aproximadamente 1.200 metros, isto é, seria até 10 vezes maior do que as próprias pirâmides, cuja base mede cerca de 230 metros.
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O estudo, que não foi recebido sem contradições entre a comunidade especialista, afirma ter usado pulsos de Radar de Abertura Sintética (SAR) para criar imagens de alta resolução do solo sob as estruturas.
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De acordo com os pesquisadores, foram descobertas pelo menos oito construções em formato cilíndrico sob as bases das pirâmides, que se estendiam por 648 metros abaixo do solo e formariam duas estruturas cúbicas, com aproximadamente 80 metros de lado cada uma.
Os cilindros poderiam corresponder a pilares, e, integrados a eles, os poços cilíndricos pareciam ser acessados por uma espécie de "escada" em espiral, a dar para duas câmaras extensas, também em formato cúbico, afirmam os pesquisadores.
As estruturas estariam ligadas, ainda, por "passagens de acesso" construídas como câmaras subterrâneas para o trânsito, e os pesquisadores sugerem que um desses espaços pode estar ligado às Salas de Amenti, que, na mitologia egípcia, representavam o portal para submundo.
Amenti, também chamado de Querneter, que significa "Terra Fantasma" ou "Terra dos Deuses", era formada por 15 portões, que se devia avançar a fim de alcançar o rei de Osíris, conhecido como deus dos mortos, do julgamento e do além.
De acordo com Nicole Ciccolo, porta-voz do projeto de exploração iniciado há alguns anos, os radares foram posicionados a cerca de 680 km de altura para criar as imagens reconstruídas do subsolo de Gizé.
Críticas ao trabalho sugerem, no entanto, que a tecnologia SAR não seria capaz de produzir imagens vindas de tão fundo no solo, e apontam que a descrição da descoberta como uma "grande cidade subterrânea" pode não passar de exagero.
É o que diz, por exemplo, o arqueólogo Lawrence Conyers, professor e especialista em radares da Universidade de Denver, ao jornal britânico Daily Mail. Para Conyers, pode até haver pequenas estruturas sob as pirâmides, que correspondem a câmaras e corredores já existentes ali, inclusive, antes da construção das pirâmides, porque eram especiais para os egípcios antigos: "Os maias e outros povos antigos da América Central frequentemente construíam pirâmides antigas em cima de passagens de cavernas ou cavernas cerimoniais com significado para eles", afirma o professor.
Mas essas estruturas não corresponderiam a uma vasta cidade, nem a grandes corredores como os sugeridos pelos pesquisadores.
O trabalho deve prosseguir, agora, para estudos mais aprofundados da estrutura subterrânea indicada pelo SAR, que devem encontrar alguns entraves de autorização por parte do Departamento de Antiguidades do governo egípcio, dada a historicidade do patrimônio das pirâmides.