INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Guerra moderna: a assustadora ‘IA militar’ do Pentágono para uso em combate

Fruto de uma cooperação entre o governo e empresas de tecnologia, a IA do Pentágono promete ser um "sistema de suporte avançado" para a tomada de decisões militares

Inteligência artificial militar - imagem ilustrativa.Créditos: Free source
Escrito en TECNOLOGIA el

"A primeira nação a incorporar integralmente a Inteligência Artificial ao processo de tomada de decisão militar vai moldar a história do século 21", diz um comunicado da Scale IA, empresa norte-americana sediada em São Francisco, na Califórnia, dedicada ao fornecimento de dados rotulados para o treinamento de inteligências artificiais.

A empresa informou que se aliou a um projeto piloto do Departamento de Defesa (DoD, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, para o desenvolvimento de uma IA integrada a "aplicações militares de larga escala", que deve auxiliar na tomada de decisões militares estratégicas em programas de combate. 

"É crítico que os Estados Unidos liderem [a inovação de IAs]", continua a empresa. "Para aproximar os EUA desse objetivo, a Scale IA foi premiada com um contrato pela Defense Innovation Unit (DIU) para o Thunderforge".

O Thunderforge, novo projeto de soluções de inteligência artificial de defesa do Pentágono, é fruto de uma cooperação entre o governo dos EUA e empresas de tecnologia comercial — como a Scale, a Anduril (que atuará no desenvolvimento de modelos de simulação para melhorar o planejamento tático de missões) e a Microsoft (que fornece o modelo de linguagem para a IA) —, e pretende agir como uma espécie de "sistema de suporte avançado para a decisão de líderes militares". 

"Nossa equipe vai desenvolver e instaurar soluções de Inteligência Artificial em fluxos de trabalho personalizados (sempre sob supervisão humana) para nossos parceiros de missão, inicialmente no Comando do Indo-Pacífico (INDOPACOM) e no Comando Europeu (EUCOM) [duas frentes militares dos EUA]".

Os primeiros protótipos do novo sistema serão enviados para utilização por parte dos comandos norte-americanos no Indo-Pacífico, considerado uma frente importante na “nova guerra fria contra a China”, como a denomina Trump; e na Europa, que faz frente ao poder geopolítico e geomilitar da Rússia na Eurásia.

Espera-se que a incorporação de IAs ao processo decisório auxilie na tomada mais rápida de decisões, operando sob supervisão humana, mas com a agilidade do computador, afirma a Scale. 

De acordo com o portal Breaking Defense, o projeto Thunderforge é parte de um esforço multissetorial "muito maior", que se utiliza de algoritmos, big data e comunicações de longa distância para coordenar as forças de defesa dos EUA e de seus aliados em múltiplos espaços de combate — em frentes na terra, no ar, no espaço e no cyberespaço. É o que se conhece como "Combined Joint All-Domain Command & Control" (CJADC2).

Especialistas acreditam que os modelos de linguagem (LLM) fornecidos pela Microsoft ao projeto piloto do DoD devem se concentrar em extrair dados de relatórios escritos e outros documentos técnicos de defesa a fim de formar o "senso" decisório esperado. 

Essa não é uma iniciativa completamente nova entre agentes de defesa do Pentágono: em 2020, durante a ocupação norte-americana no Afeganistão em combate ao Talibã, um modelo de Inteligência Artificial, o "Raven Sentry", usava fontes de dados públicas para estimar possíveis locais e horários de ataques do grupo armado, de acordo com relatos de Thomas Spahr, ex-chefe do Departamento de Estratégia Militar, Planejamento e Operação dos EUA.

Leia mais: A estranha IA do governo norte-americano que seria capaz de prever atos terroristas | Revista Fórum

Reporte Error
Comunicar erro Encontrou um erro na matéria? Ajude-nos a melhorar