Pesquisadores podem ter identificado, em 2023, uma das maiores estruturas cósmicas já vistas no raio do universo observável, e a segunda maior do universo próximo, de acordo com artigo publicado no repositório arXiv, intitulado "Desvendando as maiores estruturas do Universo próximo: descoberta da superestrutura Quipu".
A superestrutura Quipu, como foi chamada, é, na verdade, um conglomerado (ou um aglomerado) de galáxias, que se estende por cerca de 1,3 bilhão de anos-luz e tem até 200 quatrilhões (10 elevado à décima quinta potência) de massas solares.
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Uma massa solar corresponde, literalmente, ao valor unitário da massa do Sol — que tem cerca de 333 mil vezes a massa da Terra, ou 1.989 x 10* 30kg.
Quipu é uma estrutura complexa, formada por um longo filamento que se estende no centro e diversos outros filamentos laterais. Ela tem 13 mil vezes o comprimento da Via Láctea, o que a torna o segundo maior objeto do universo próximo em comprimento, maior até do que o superaglomerado Laniakea, que se estende por um ‘comprimento’ de 520 milhões de anos-luz e agrega até 100 mil galáxias, inclusive a própria Via Láctea.
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As observações dessa estrutura supermassiva fazem parte da tentativa de estudar a maneira como a matéria é distribuída no universo, por meio de diferentes comprimentos de ondas de luz, que podem ser mapeadas a partir de seus espectros eletromagnéticos.
O espectro eletromagnético indica o "desvio vermelho" de um objeto, isto é, a medida da velocidade relativa de um objeto em relação à Terra.
Quanto maior é seu desvio vermelho (expresso em termos da velocidade da luz), mais distante um objeto está da Terra. Por exemplo: um desvio medido em 0,2 significa um afastamento a 20% da velocidade da luz, ou cerca de 160 milhões de quilômetros por hora.
Acredita-se que existam estruturas ainda maiores do que o grande aglomerado de Quipu no universo profundo, e um de seus concorrentes diretos é a Grande Muralha de Hércules-Corona Borealis (HCB).
Uma fileira de galáxias de 10 bilhões de anos-luz, a HCB foi identificada em 2013 a partir do mapeamento de explosões de raios gama no universo, que ocorrem quando estrelas massivas colapsam.
Ela é até oito vezes maior que Quipu, e a maior estrutura já vista no raio do universo observável, cujo raio está estimado em 46,5 bilhões de anos-luz.
A HCB é tão grande que chega a desafiar um princípio da cosmologia: o de que, em escalas tão grandes, o universo deve ser homogêneo. Estruturas cósmicas, na teoria, não deveriam ultrapassar 1,2 bilhão de anos-luz.
Apesar de seu tamanho considerável, Quipu pode não ser exatamente a maior estrutura cósmica conhecida, como afirmaram veículos tradicionais.
No universo próximo, a Grande Muralha Sloan, conjunto de galáxias descoberto em 2003, tem 1,37 bilhão de anos-luz de extensão, localizada a um bilhão de anos-luz da Terra.
Sloan é considerada a terceira maior estrutura conhecida, atrás apenas da superestrutura Huge-LQG — que compreende um grupo de 73 quasares (objetos distantes alimentados por buracos negros supermassivos) e tem 4 bilhões de anos-luz de diâmetro na sua parte mais longa — e da HCB.
Isso posicionaria a superestrutura de Quipu, descoberta mais recentemente — em 2023 — no segundo lugar do universo próximo, atrás da Grande Muralha Sloan, e no quarto lugar do universo observável.