'PARCERIA'

Prioridades de Trump no espaço: Nasa perde, SpaceX de Musk ganha

Bilionário não só orienta o governo a promover cortes que não atingem contratos com sua empresa como também busca novas oportunidades de lucro com recursos públicos, se intrometendo na política espacial estadunidense

Créditos: The White House
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Mais de 900 funcionários da Agência Espacial dos Estados Unidos, a Nasa, entraram no programa de demissão voluntária promovido pelo Escritório de Gestão de Pessoal dos EUA (OPM, em inglês) do governo do presidente Donald Trump. A "oferta" foi realizada dentro da proposta do republicano de cortar custos da administração federal, que conta com o auxílio do recém-criado Departamento de Eficiência Governamental (Doge), comitê consultivo liderado informalmente por Elon Musk.

O total equivale a aproximadamente 5% da força de trabalho da Nasa, que conta hoje com 18 mil funcionários. Os trabalhadores que ingressaram no programa contarão com seus salários e benefícios até 30 de setembro de 2025.

Não se sabe ainda se as demissões e os possíveis desligamentos que ainda poderão ser feitos vão impactar projetos como a missão lunar Artemis, que pretende levar novamente astronautas ao solo lunar.

O deputado democrata Maxwell Alejandro Frost, da Flórida, membro do Comitê de Ciência, Espaço e Tecnologia do Congresso, disse estar preocupado com atrasos nas missões.

"Há um grupo de (funcionários do Doge) que não tem educação sobre os departamentos em que estão entrando, não sabem o que a Nasa precisa para completar sua missão. Já tivemos que atrasar o lançamento do Artemis II em um ano. O que você acha que vai acontecer quando descobrirmos que mais técnicos, mais cientistas, pessoas como essas estão sendo demitidas ou aceitaram aquela oferta de demissão adiada da administração, o que, a propósito, não é algo certo", disse ele, em entrevista ao site Spectrum News.

Nada de cortes para a SpaceX

Se o governo Trump está cortando funcionários e outros custos de agências e da administração federal, nada se viu ainda em relação aos "parceiros" da iniciativa privada como a SpaceX, companhia de Elon Musk.

Além de ter seus negócios preservados, o bilionário busca novos horizontes. Em seu perfil na plataforma social X, que também é sua, Musk disse querer antecipar o fim da Estação Espacial Internacional para um prazo de dois anos, em vez de cinco, como programado. "A decisão cabe ao presidente, mas minha recomendação é o mais rápido possível", postou.

As agências espaciais dos EUA, Canadá, Europa, Japão e Rússia são responsáveis pela estação espacial, principal local onde os astronautas trabalham em suas pesquisas em órbita.

A SpaceX é detentora de um contrato de US$ 843 milhões para desenvolver uma espaçonave que seja acoplada à estação e que possa guiá-la para fora da órbita, provocando sua desintegração. A Nasa respondeu que seus planos "preveem o uso da Estação Espacial Internacional e de futuras estações espaciais comerciais em órbita baixa da Terra para realizar ciência inovadora, bem como servir de campo de treinamento para missões tripuladas à Lua e Marte".

Novos lucros para Musk

Há ainda perspectiva de novos lucros para a companhia do bilionário. Segundo a Associated Press, equipamentos da Starlink, subsidiária da SpaceX, já foram instalados em áreas da Administração Federal de Aviação como um possível prelúdio para a aquisição de um contrato de US$ 2 bilhões mantido pela Verizon.

Musk disse que a rede usada pelos controladores de tráfego aéreo está envelhecendo e exige ações drásticas e rápidas para modernizá-la. “O sistema da Verizon não está funcionando e, portanto, está colocando os passageiros aéreos em sério risco”, postou.

É só mais um dos inúmeros conflitos de interesse relativos à posição de Musk como um conselheiro sênior da Casa Branca para o presidente Donald Trump. “Há uma transparência muito limitada”, disse à AP Jessica Tillipman, especialista em direito contratual da George Washington University. “Sem essa transparência, não temos ideia de quanta informação não pública ele tem acesso ou qual papel ele [Musk] está desempenhando em quais contratos estão sendo concedidos.”

Enriquecendo com dinheiro público

Uma reportagem do jornal The Washington Post, publicada nesta quarta-feira (26), mostra que , ao longo dos anos, Musk e suas empresas receberam pelo menos US$ 38 bilhões em contratos governamentais, empréstimos, subsídios e créditos fiscais, muitas vezes em momentos críticos para a economia do país e para o próprio cidadão estadunidense.

Somente em 2024, os governos federal e locais comprometeram pelo menos US$ 6,3 bilhões com as empresas de Musk, o maior total até o momento.

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