Uma operação conjunta da Polícia Civil (PC-BA) e da Polícia Militar da Baihia (PM-BA) resultou no cumprimento de 12 mandados de prisão e 7 de busca e apreensão na Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal, localizada no extremo sul do estado. A ação, no entanto, gerou críticas por parte de lideranças Pataxó, que denunciam abusos e violência policial contra a comunidade.
Segundo relatos dos indígenas, os agentes fizeram uso desproporcional da força, o que provocou pânico entre os moradores. Além disso, após a operação, grupos armados teriam cercado as aldeias Xandó, Barra Velha, Boca da Mata e Meio da Mata.
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As lideranças da etnia também questionam os procedimentos adotados contra os detidos. De acordo com os representantes indígenas, os presos foram encaminhados diretamente para o presídio, sem a realização da audiência de custódia prevista na legislação. Advogados que acompanham o caso alegam que não tiveram acesso às ordens de prisão.
A reportagem tentou contato com a Polícia Civil e a Polícia Militar para obter um posicionamento sobre as denúncias, mas não obteve resposta até o momento. O espaço permanece aberto para manifestações das autoridades.
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Escalada de conflito
No dia 10 de março, um indígena da etnia Pataxó foi morto a tiros em um ataque ocorrido na Terra Indígena (TI) Barra Velha do Monte Pascoal. O crime aconteceu às vésperas de uma audiência pública em Brasília que discutiria a demarcação de terras na região, conforme informou o Conselho de Caciques Pataxó (Conpaca).
O episódio se soma a outros casos de violência recentes. No final de janeiro, na Terra Indígena Caramuru-Catarina Paraguassu, uma indígena da etnia Pataxó Hã Hã Hãe foi assassinada, e outras pessoas ficaram feridas após um ataque armado. Já em Potiraguá, na Fazenda Inhuma, Maria de Fátima Muniz, conhecida como Nega Pataxó, de 52 anos, também foi executada, e o cacique Nailton Muniz sofreu ferimentos.
De acordo com relatos, aproximadamente 200 ruralistas teriam se organizado em um grupo de WhatsApp para cercar a área utilizando caminhonetes, em uma ação para reivindicar a posse da terra. Como resultado das investigações, dois fazendeiros foram detidos sob acusação de homicídio e tentativa de homicídio, e quatro armas foram apreendidas pelas autoridades.
Diante da escalada da violência, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), convocou uma reunião extraordinária para reforçar a integração das investigações. Em suas redes sociais, ele reafirmou o compromisso do estado em responsabilizar os envolvidos. "Não permitiremos que atos de violência como os registrados no sul da Bahia fiquem impunes", declarou.
Para acompanhar a situação de perto, uma comitiva do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), sob a liderança da ministra Sonia Guajajara, deve visitar a região nesta segunda-feira (24).