FASCISMO BOLSONARISTA

Defesa de Bolsonaro ataca delação de Cid e diz que ex-presidente ajudou Múcio com militares

Advogado Celso Vilardi diz que Bolsonaro "socorreu o ministro da Defesa nomeado pelo presidente Lula porque o comando militar não o atendia" e atacou frontalmente a delação de Cid

Jair Bolsonaro em meio a seus advogados, Celso Vilardi (esquerda) e Paulo Amador Bueno.Créditos: Rosinei Coutinho/STF
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Representando o corpo de advogados de Jair Bolsonaro (PL), Celso Vilardi atacou frontalmente a delação do tenente coronel Mauro Cid dizendo que o ex-ajudante da Presidência "mentiu, omitiu e se contradisse" em depoimentos à Polícia Federal (PF).

Vilardi ainda citou uma suposta articulação que teria sido feita por Jair Bolsonaro com José Múcio Monteiro no início de dezembro de 2022, quando, segundo ele, as Forças Armadas não atendiam o então ministro da Defesa escolhido por Lula.

Ao falar sobre Cid, o advogado lembrou o vazamento de conversas do militar publicados pela revista Veja, em que ele teria feito um "desabafo" sobre os depoimentos feitos no acordo de delação.

"É o fato de que o delator rompeu com o acordo quando vazou a delação. E saiu na revista Veja", lembrou Vilardi.

Ao chamar Cid para esclarecimentos, segundo o advogado, "a Polícia Federal diz que ele mentiu, omitiu e se contradisse".

"Segundo a Polícia Federal ele mentiu, omitiu e se contradisse. E então há uma audiência para que ele tivesse oportunidade de se corrigir. Mas aí, com todo respeito, há uma inversão porque na verdade não é o Estado que foi buscar as provas de corroboração do que ele disse. Ao contrário, o Estado trouxe indícios e ele [Cid] se adequa aos indícios trazidos pelo Estado", afirmou Vilardi.

O advogado então focou a defesa no 8 de Janeiro, afirmando que "não é possível que se queira imputar a responsabilidade ao Presidente da República, o colocando como líder de uma organização criminosa, quando ele não participou dessa questão do 8 de Janeiro. Pelo contrário ele a repudiou".

Em seguida, como "prova" de que Bolsonaro estaria colaborando com a transição do governo, ele citou uma suposta intermediação feita pelo ex-presidente para que Múcio fosse atendido pelos militares.

Segundo ele, Bolsonaro "socorreu o ministro da Defesa nomeado pelo presidente Lula porque o comando militar não o atendia".

"Foi o presidente [Bolsonaro] quem determinou que eles atendessem o ministro da Defesa que assumiu em 1º de janeiro. Portanto, ministro, não é possível que se queira dizer que é compatível com uma tentativa de golpe com uso do comando militar quando o presidente da República autoriza a transmissão do poderio militar no começo de dezembro", disse Vilardi, pedindo a rejeição da denúncia contra Bolsonaro.

Veja a transmissão ao vivo na TV Fórum

Primeira derrota

Logo após a explanação do procurador-geral da República Paulo Gonet, os ministros do STF impuseram a primeira derrota a Jair Bolsonaro (PL) no julgamento sobre o núcleo principal da organização criminosa golpista que começou na manhã desta terça-feira (25).

Após a leitura da denúncia, o advogado Celso Vilardi que atua na defesa de Jair Bolsonaro, pediu para que os defensores de Mauro Cid fizessem a primeira explanação na lista dos 8 denunciados.

A estratégia era esgotar os argumentos da defesa de Cid, capitaneada pelo advogado Cezar Bittencourt, para favorecer a narrativa dos demais denunciados, que argumentam que o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) teria sido "torturado" durante a delação premiada.

O pedido foi colocado em votação e todos os ministros seguiram o relator, Alexandre de Moraes, que argumentou que as defesas serão ouvidas por ordem alfabética, de acordo com o nome dos investigados.

Com a derrota, a defesa de Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi a primeira a ser convocada a fazer a explanação.

Ataques a Moraes dentro do Supremo

Bolsonaro mudou sua estratégia e decidiu comparecer presencialmente à sessão da primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF) na manhã desta terça-feira (25), quando terá início o julgamento do núcleo principal da organização criminosa, liderada pelo ex-presidente, que tentou um golpe de Estado no Brasil.

Ao chegar ao Supremo, minutos antes da abertura da sessão pelo presidente da turma, ministro Cristiano Zanin, Bolsonaro divulgou uma publicação em suas redes sociais fazendo uma analogia ao jogo entre Brasil e Argentina, que acontece logo mais nas eliminatórias da Copa de 2026, com ataques à corte.

"Brasil e Argentina em campo hoje às 21h no Monumental de Núñez. Vamos torcer pelos nossos garotos voltarem com a vitória. Já no meu caso, o juiz apita contra antes mesmo do jogo começar. E ainda é o VAR, o bandeirinha, o técnico e o artilheiro do time adversário; tudo numa pessoa só", publicou Bolsonaro às 9h44 na rede X, em um ataque direto a Alexandre de Moraes.

Relator do caso, Moraes foi o primeiro a falar, relatando o recebimento feito pelo Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet. A mudança de estratégia se dá com a presença de Bolsonaro, que havia vazado que não acompanharia o julgamento, nem mesmo pela TV. 

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