Preso há 85 dias acusado de comandar a facção homicida da quadrilha golpista, que tinha planos de assassinar Lula, Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Walter Braga Netto, candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, nutre mágoa do Exército em conversas com aliados, que atacam a cúpula das Forças Armadas.
Segundo Bela Megale, no jornal O Globo, o rancor de Braga Netto se dá em razão de o Exército não assumir uma suposta omissão na tentativa de golpe.
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Para o general de 4 estrelas, que está preso no Comando Militar Leste, no Rio de Janeiro, o general Marco Antônio Freire Gomes, que à época comandava o Exército, teria avalizado uma carta reconhecendo os acampamentos golpistas em frente aos quartéis-generais, o que implicaria a Força na intentona.
Para Braga Netto, segundo aliados, o Exército busca "limpar" a imagem da instituição ao reconhecer a tentativa de golpe. Para o general, ao admitir a intentona, a Força faria uma confissão de que se omitiu ao não denunciar a trama golpista na época.
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Aliados citam, inclusive, um áudio de Mauro Cid celebrando a adesão do Exército à carta em defesa dos acampamentos golpistas.
“Eles estão se sentindo seguro [sic] para dar um passo à frente. Então, os organizadores dos movimentos vão canalizar todos os movimentos previstos [inaudível] o dia 15 como ápice, a partir de agora. Tá pro Congresso, STF, Praça dos Três Poderes basicamente”, disse o ajudante de ordens de Bolsonaro na mensagem obtida pela PF.
Para aliados de Braga Netto, o Exército tenta "limpar o CNPJ", que estaria abandonando os militares denunciados.
“Se houve de fato um racha no Alto Comando, por que nenhum deles [contrários ao golpe] telefonou para demover o presidente da ideia de um decreto? Eles esperaram para ver o que ia acontecer”, disse a jornalista da Globo um "colega de farda de Braga Netto".
Rifado
Por outro lado, a cúpula das Forças Armadas, especialmente do Exército, já decidiu que Braga Netto não terá qualquer apoio institucional para se livrar da cadeia.
A cúpula militar acredita que o general de quatro estrelas se envolveu diretamente na tentativa de muito mais por ego do que por ideologia.
A avaliação é que Braga Netto não queria imergir com a posse de Lula e agiu para promover o golpe com vista a um processo pessoal.
A cúpula avalia até atuar nos bastidores por figuras como Augusto Heleno e Paulo Sergio Nogueira, mas Braga Netto será rifado completamente.
A análise dos comandantes coincide com uma versão de parte dos investigadores da Polícia Federal, de que Braga Netto poderia dar um golpe no próprio Bolsonaro, mantendo o ex-presidente fora do país após o golpe e assumindo ele próprio o comando da Ditadura durante o período previsto de "transição".
Agentes da PF avaliam que Braga Netto, à frente da junta militar que comandaria o início da Ditadura, poderia postergar a transição para que ele fosse alçado à Presidência, escanteando Bolsonaro até a convocação de eleições, que não tinham prazo para ocorrer.