Cerca de 60% das mulheres vítimas de violência de gênero em 2023 não denunciaram seu agressor à polícia. O dado foi divulgado pelo Mapa Nacional da Violência de Gênero, lançado nesta quarta-feira (22) pelo Senado Federal em parceria com Instituto Avon e a agência de jornalismo de dados Gênero e Número.
Entre as 21,7 mil mulheres entrevistadas, 30% relataram terem sido vítimas de algum tipo de violência doméstica ou familiar. Dessas, apenas 40% denunciaram as agressões às autoridades de segurança e 529.690 recorreram à medida protetiva de urgência (MPU), o que representa apenas 3 em cada 10 mulheres. De acordo com a Pesquisa Nacional 2023, o número seria maior se as mulheres conhecessem o dispositivo - 68% dizem conhecer pouco.
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Entre os principais motivos que levam as mulheres a não denunciarem está o medo de vingança do agressor, a dependência financeira, a vergonha e o fato de não confiarem na justiça.
Com dados inéditos sobre a violência contra a mulher em 2022 e 2023, o mapa tem o objetivo de compreender a dimensão da violência contra as mulheres e ajudar no desenvolvimento de políticas públicas que as protejam.
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O mapa também traz dados sobre os casos de feminicídio até outubro deste ano: 1.127 mulheres foram mortas com base no gênero, a maioria parda. Os pesquisadores afirmam que o número está muito distante da realidade devido à subnotificação e ao fato de alguns estados não compartilharem as informações das vítimas.
O estado que concentra maior número do crime é Santa Catarina e o local mais comum de ocorrência é a própria casa da vítima. Na maioria dos casos, o objeto empregado não foi informado. A arma branca, como facas, ocupa o segundo lugar.
O tipo de violência doméstica mais comum é a psicológica, praticada principalmente pelo marido ou companheiro da vítima. A maioria das mulheres não mantém mais relação com o agressor, em razão, principalmente, da violência, mas 3.523.717 ainda são casadas com ele.
A pesquisa também traz dados, ainda preliminares, de Registros de Violência Doméstica e Sexual em 2022, obtidos através do Sistema Único de Saúde (SUS). Ao todo, foram 202.608 vítimas no ano passado.
"Uma das principais conquistas do Mapa Nacional da Violência de Gênero é a transparência, já que o projeto garante a divulgação do Sinesp a cada dois meses. O acesso aos boletins de ocorrência de todo Brasil do Sinesp foi possível a partir de um Acordo de Cooperação Técnica entre o Mapa e o Ministério da Justiça e Segurança Pública", afirma a agência Gênero e Número.