Atividade humana é a principal causa da perda de biodiversidade, confirma relatório inédito

Estudo analisou pela primeira vez quase 100.000 locais ao redor do mundo, proporcionando uma visão ampla e precisa dos efeitos humanos sobre a biodiversidade global

Créditos: Paulo Pinto/Agência Brasil
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Um estudo global, baseado em mais de 2 mil pesquisas, confirma que as atividades humanas estão causando um impacto devastador na biodiversidade. Realizado pelo Instituto Federal Suíço de Ciência e Tecnologia Aquática (Eawag) e pela Universidade de Zurique, o estudo analisou quase 100.000 locais ao redor do mundo, incluindo habitats terrestres, aquáticos e marinhos, e diversos grupos de organismos, como plantas, animais e micróbios.

A pesquisa revelou que as pressões humanas alteraram significativamente a composição das comunidades biológicas, resultando em uma redução média de 20% nas espécies em locais afetados por atividades humanas, em comparação com áreas não impactadas. As perdas mais severas ocorreram entre répteis, anfíbios e mamíferos, cujas populações, por serem menores, têm maior risco de extinção.

Os pesquisadores identificaram cinco fatores principais para o declínio da biodiversidade: destruição de habitats, exploração de recursos (como caça e pesca), mudanças climáticas, espécies invasoras e poluição. A agricultura intensiva, com uso excessivo de pesticidas e fertilizantes, tem sido particularmente prejudicial, além das mudanças climáticas, que ainda não são totalmente compreendidas.

Este estudo é inédito por combinar dados de tantas pesquisas em diferentes locais do planeta, proporcionando uma visão global e mais precisa dos efeitos humanos sobre a biodiversidade. Além disso, o estudo identificou uma tendência preocupante em áreas montanhosas, onde plantas especializadas estão sendo substituídas por espécies de altitudes mais baixas, um fenômeno chamado de “elevador para a extinção”.

Os pesquisadores alertam que reverter essa perda de biodiversidade é um dos maiores desafios contemporâneos e que o estudo oferece uma base para futuras estratégias de conservação. Embora as conclusões não tragam grandes surpresas, como apontado pela professora Lynn Dicks, da Universidade de Cambridge, elas reiteram a gravidade da situação e a necessidade urgente de proteger as espécies essenciais para a manutenção dos ecossistemas.

Alexandre Antonelli, diretor científico do Kew Gardens, destacou a clareza do estudo sobre a influência negativa das atividades humanas na natureza e a importância de incluir todos os grupos biológicos na avaliação dos impactos humanos.

*Com informações de The Guardian 

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