Espécie rara, que não se via há 30 anos, é “reencontrada” com ajuda de inteligência artificial

Desenvolvida por uma unidade de conservação local em parceria com o centro de pesquisas de uma universidade, a ferramenta de inteligência artificial foi capaz de identificar a presença de uma espécie rara e ameaçada de extinção

Austrália.Créditos: Pixabay
Escrito en MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE el

O pássaro andarilho das planícies, do gênero Pedionomus, é considerado uma das aves mais raras da Austrália. 

Conhecido por suas listras na cabeça e no pescoço, com manchas marrom e bege se alongando no corpo e uma espécie de colarinho de penugem nas fêmeas — salpicadas de preto e branco, com um vermelho amarelado no peito —, esse pássaro tem sofrido uma redução populacional drástica nos últimos anos, e uma aparição da espécie não era documentada no país há pelo menos três décadas.

Agora, com a ajuda de uma ferramenta de inteligência artificial, o andarilho foi finalmente observado mais uma vez, graças aos esforços de uma unidade de conservação australiana — Zoos Victoria.

A inteligência artificial responsável pela identificação do Pedionomus foi desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa do Museus Victoria em parceria com a Universidade de Tecnologia de Queensland, e recebeu amostras de áudio capturadas por 35 gravadores espalhados ao longo da região da unidade, que foram analisados até ser possível distinguir, entre os diversos sons e ruídos, aquele característico da espécie de pássaro rara.

Pássaro andarilho das planícies. Créditos: free source

Estima-se que haja apenas cerca de 250 a 1000 indivíduos dessa espécie restantes na Austrália, onde é endêmica. 

Sua sobrevivência está ameaçada pelos eventos climáticos mais extremos, e a espécie, que vive em habitats repletos de grama e sem árvores, observou uma redução de até 85% no número de indivíduos ao longo dos últimos anos. Ela está na lista de espécies criticamente ameaçadas da Austrália.

Os pássaros andarilhos têm vivido, agora, em regiões espaçadas a oeste de Melbourne — foi o que se descobriu na primeira documentação da espécie feita em quase trinta anos. 

A ferramenta de inteligência artificial pôde filtrar, a partir de amostras anteriores, os novos sons obtidos pelos instrumentos de captura de áudio, e então identificar os ruídos característicos dessa espécie.

No Instagram, o Zoos Victoria compartilhou o feito em vídeo. Confira aqui

 

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