Fenda pré-histórica submersa em rio da Flórida guardava 552 fósseis de espécies primitivas

Há cerca de 500 mil anos, antes que um rio passasse por ali, uma grande fenda se abriu e se tornou armadilha mortal para centenas de animais; agora, registros fósseis bem conservados dão evidências de espécies já extintas na natureza

Osso da mandíbula inferior de uma provável nova espécie de anta.Créditos: Museu da Flórida/Kristen Grace
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Pesquisadores norte-americanos se depararam com uma grande fenda, aberta há mais de 500 mil anos, na região de Big Bend, na Flórida. Para sua surpresa, a fenda, um sumidouro submerso no Rio Steinhatchee, estava repleta de fósseis animais bem conservados — mais de 500 evidências de espécies primitivas, e uma provável nova espécie de anta

A descoberta foi descrita no periódico Fossil Studies, com coautoria de Rachel Narducci, paleontologista de vertebrados e administradora de coleções no Museu da Flórida.

O Rio Steinhatchee, que nasce no Pântano Mallory, no Condado de Lafayette, tem uma extensão de aproximadamente 55 km e desemboca no Golfo do México, que os EUA agora pretendem renomear "Golfo da América".

O rio e a região por onde ele passa têm um histórico geológico rico, com evidências fósseis marinhas que datam do Paleogeno e do Neógeno (períodos que ocorreram entre 66 e 2,5 milhões de anos atrás), como dentes de tubarões Megalodon, reminiscentes de mamíferos pré-históricos (como os Mastodontes, mamutes primitivos, e as preguiças-gigantes) e fósseis de moluscos e corais que permaneceram incrustados em seus sedimentos calcários. 

De acordo com a revista Live Science, "cerca de 500.000 anos atrás, antes que o rio [Steinhatchee] corresse no local, um sumidouro se abriu e se tornou uma armadilha mortal para centenas de animais. Os sedimentos preencheram o buraco ao longo do tempo, sepultando seus restos mortais em condições quase imaculadas".

Entre os fósseis descobertos na fenda, que somaram cerca de 552, durante uma expedição realizada por coletores de fósseis na região em 2022, foram identificadas 75 estruturas bem preservadas de uma espécie primitiva do que viriam a se tornar os cavalos domésticos. 

Fósseis de cabalinos primitivos. Créditos: Museu da Flórida/Kristen Grace

Um dos fragmentos fósseis pertencia a uma criatura já extinta, que se assemelha a um tatu gigante, do gênero Holmesina. A espécie, que viveu ali há milhares de anos, transicionou de Holmesina floridanus, que pesava cerca de 68 kg, para Holmesina septentrionalis, cujo peso podia chegar a mais de 200 kg. 

"É essencialmente o mesmo animal, mas, ao longo do tempo, ele ficou muito maior, e os ossos mudaram tanto que os pesquisadores descreveram como duas espécies diferentes", explica Rachel Narducci à Live Science.

O Museu da Flórida julga que os fósseis encontrados no rio tenham entre 1,6 milhão e 250 mil anos.

Um deles, um crânio metade preservado, com uma anatomia que parecia suína, foi especialmente intrigante para os pesquisadores. O crânio tinha "detalhes nunca antes vistos no registro fóssil", o que levou os cientistas à hipótese de que poderia se tratar de uma nova espécie de anta. Uma outra alternativa é que seja apenas um "indivíduo que se destaca entre a população", mas a hipótese ainda não foi descartada.

Osso da mandíbula inferior de uma provável nova espécie de anta. Créditos: Museu da Flórida/Kristen Grace

 

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