O novo governo do negacionista Donald Trump vem provocando um verdadeiro caos em agências ambientais e climáticas dos Estados Unidos ao promover um desmonte nas políticas de meio ambiente do país. Após anunciar a retirada dos EUA do Acordo de Paris e excluir conteúdos sobre crise climática de sites oficiais do governo, Trump agora está promovendo ataques à principal agência sobre clima, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês).
Na última sexta-feira (7), ainda de madrugada, funcionários da NOAA receberam um e-mail oficial com o assunto “ESCLARECIMENTO IMPORTANTE - AÇÃO URGENTE”. O texto exigia que todos os contatos e comunicações com agências climáticas internacionais fossem excluídos. Naquele momento, os membros da agência começaram a viver um momento caótico diante da insegurança sobre como seriam as atividades da NOAA nos próximos dias. As informações foram divulgadas pelo jornal americano Bloomberg, que recebeu relatos de funcionários da agência.
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“O clima não respeita fronteiras políticas”, afirmou Daniel Swain, cientista climático da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. “Não é possível prever o clima nos Estados Unidos sem a cooperação de outras partes do mundo", completou.
Craig McLean, que atuou como cientista-chefe interino da NOAA durante o primeiro mandato de Trump, declarou que os funcionários da agência estão vivendo sob nervosismo diante das ameaças do governo.
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“É um circo”, disse McLean. “Se o objetivo de Trump é desestabilizar, humilhar e envergonhar as pessoas leais que escolheram trabalhar para seu país e governo federal, ele está tendo sucesso”.
Alguns dias após o primeiro anúncio, outro e-mail foi enviado avisando que a medida seria flexibilizada para alguns setores e comunicações. A situação, porém, ainda seria agravada novamente. Segundo o deputado Jared Huffman, da Califórnia, os funcionários do NOAA teriam sido ameaçados com "demissões em massa de 50% da força de trabalho e 30% do orçamento".
Elon Musk estaria interessado em informações da NOAA
Além disso, uma força-tarefa conduzida por Elon Musk visitou os escritórios em busca de acesso a informações internas, segundo o Bloomberg e o E&E News. Huffman chegou a pedir uma investigação sobre as intenções de Trump e Musk com a NOAA. “Todos nós temos eleitores em nossos distritos que sofrerão se o trabalho da NOAA for interrompido”, disse o parlamentar.
“Eles [o Departamento de Eficiência Governamental, chefiado por Musk] simplesmente passaram pela segurança e disseram: ‘saia do meu caminho’, e estão procurando acesso aos sistemas de TI, como fizeram em outras agências”, disse Andrew Rosenberg, ex-pesquisador da NOAA e atualmente na Universidade de New Hampshire, ao The Guardian. “Eles querem acesso a todos o sistema de computadores, muitos dos quais com informações confidenciais”.
Mais de mil funcionários ambientais na mira de Trump
Na última terça-feira (4), o governo Trump notificou mais de 1,1 mil funcionários da Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos sobre uma possível demissão em massa, segundo informações da agência Reuters e do NY Times.
A maioria dos funcionários estaria envolvida com pesquisas sobre mudanças climáticas, principal tema a se tornar alvo de Donald Trump e sua política negacionista. Além disso, muitos membros também trabalhavam em ações que envolviam substituição de canos de chumbo em comunidades pobres, retirada de material tóxico e apoio a projetos de energia renovável durante o governo de Joe Biden.
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