ESPÉCIES

Os únicos animais da história a derrotar militares armados com metralhadoras

Animais se tornaram símbolo de resistência em um conflito que ficou marcado na história

Emu.Créditos: alise storsul via Unsplash
Escrito en HISTÓRIA el

Os emus são aves nativas da Austrália, consideradas a segunda maior espécie de ave do mundo — perdem apenas para o avestruz. Eles podem atingir até 1,80 metro de altura, com um peso de até 45 kg. 

Embora sejam incapazes de voar, suas pernas longas e fortes permitem que corram a velocidades de até 50 km/h, percorrendo grandes distâncias em busca de comida e água. 

Em 1932, um episódio na história australiana demonstrou a resiliência da espécie, naquela que ficou conhecida como "A Guerra aos Emus". À época, a Austrália Ocidental havia sido atingida por uma grande seca, que rareava as plantações e também afetava o território ocupado pelos emus, que se viram obrigados a buscar melhores condições de vida, pressionados pela falta de recursos.

Isso fez com que milhares de aves nativas — um número estimado em até 20 mil — migrassem para locais de áreas cultivadas em busca de alimento. 

Grande contingente das plantações nas áreas rurais da Austrália era administrada por ex-soldados que haviam lutado durante a Primeira Guerra Mundial, presenteados com terras cultiváveis ao fim do conflito. 

Os emus causaram um enorme rastro de destruição em meio a uma das secas mais severas do país: eles invadiram as plantações, derrubaram as cercas que delimitavam as terras e permitiram a entrada de outros animais capazes de dizimar as culturas, como espécies de pássaros e pestes daninhas.

Foi então que os fazendeiros pediram ajuda — foram atendidos. Em novembro daquele ano, três soldados da Artilharia Real australiana, armados com duas metralhadoras Lewis e 10 mil cartuchos de munição, se dedicaram a expelir os emus das terras dos agricultores. 

Mas o empreendimento logo se mostrou falho: nos primeiros três dias da batalha, só 30 emus foram mortos, e, nos dias seguintes, nenhum progresso significativo foi avistado. No quinto dia de "batalha" contra os emus, uma das metralhadoras "emperrou" e levou os soldados a bater em retirada.

Outros métodos foram tentados: caminhoneiros se uniram aos militares para tentar reunir os emus a fim de torná-los alvos mais fáceis, mas a velocidade de corrida dos pássaros, a enorme quantidade de emus espalhados nos campos e a resistência das aves gigantes não permitiu que fossem bem-sucedidos na tarefa — aliás, um caminhão até chegou a se chocar contra os pássaros, o que o danificou, mas a campanha pela "morte aos emus" continuou.

Após mais de um mês do começo da operação, apenas cerca de 2.500 emus haviam sido mortos, de um total de quase 20 mil. 

Aparentemente, os emus eram resistentes mesmo quando feridos por tiros das metralhadoras, diziam os soldados, que se retiraram dali em seguida, seguindo ordens do governo australiano. Dados da época indicavam que só 300 aves haviam sido exterminadas.

Quando a assistência militar falhou, o governo australiano instituiu um "sistema de recompensas" a quem conseguisse exterminar os emus, e estima-se que pelo menos 57 mil recompensas tenham sido reivindicadas ao longo do ano de 1934. 

A guerra aos emus se manteve ativa de 1932 a 1950, quando o parlamento federal australiano liberou o uso de mais 500 mil cartuchos de munição no combate às aves.

Hoje, os emus são protegidos por leis ambientais e considerados um símbolo de resistência da Austrália; e, desde 1999, de acordo com a National Geographic, a espécie tem continuado a crescer, e já registra mais de 600 mil indivíduos no continente.

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