O telefone foi substituído, ao longo dos anos 2000, por sua versão "esperta": hoje, os smartphones são o modo padrão dessa tecnologia, e a função que se relaciona propriamente às ligações de áudio, que conectam dois aparelhos pela conversão de sons em sinais elétricos, não é mais tão comum — foi substituída pela praticidade das mensagens de texto e de áudio, que transitam via redes tão avançadas quanto a 5G.
Mas no dia 10 de março se comemora o Dia do Telefone, a invenção que, há 148 anos, revolucionaria a forma como as pessoas se conectam e tornaria mais acessíveis e práticos os diálogos, a troca de informações, as funções burocráticas da vida cotidiana e, enfim, lançaria a semente para inovações posteriores — como os celulares modernos.
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Idealizados pelo escocês Alexander Graham Bell, os telefones primários funcionavam a partir de um diafragma acoplado a um microfone, que transmitia os sons falados para "o outro lado da linha".
Os sons eram transformados em vibrações, sinais elétricos que passavam por uma corrente por meio de um transmissor — de carvão ou via indução magnética —, e percorriam o fio de cobre até alcançar um outro telefone receptor.
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No receptor, um outro diafragma, apoiado por um eletroímã, "convertia" esses sinais elétricos em ondas sonoras, que se transformavam em palavras no ouvido do interlocutor.
A primeira demonstração de uso dessa invenção revolucionária foi feita em 1876, também num dia 10 de março, em forma de exibição pública na Academia Americana de Artes e Ciências, de Boston. Na ocasião, foram transmitidos tons musicais pela linha telefônica, e depois frases comuns da literatura clássica foram proferidas por Bell a um assistente localizado numa sala adjacente.
Posteriormente, em artigo publicado no periódico científico da Academia, o Proceedings, Bell descreveu assim o experimento:
"Ao cantar no telefone, os tons da voz eram reproduzidos pelo instrumento [localizado em] uma sala distante. Quando duas pessoas cantavam simultaneamente no aparelho, duas notas eram emitidas simultaneamente pelo telefone na outra sala. Um amigo foi enviado ao prédio adjacente para observar o efeito produzido pela fala articulada. Coloquei a membrana do telefone perto da minha boca e pronunciei a frase: "Você entende o que eu digo?" Logo, uma resposta foi retornada através do instrumento em minha mão. Palavras articuladas emanaram da mola do relógio presa à membrana, e ouvi a frase: "Sim; eu entendo você perfeitamente".
A articulação estava um tanto abafada e indistinta, embora, nesse caso, fosse inteligível.
Citações familiares, como "Ser ou não ser; eis a questão", "Um cavalo, um cavalo, meu reino por um cavalo", "O que Deus operou" etc., geralmente eram compreendidas após algumas repetições.
Os efeitos não eram suficientemente distintos para permitir uma conversa contínua através do fio. De fato, como regra geral, a articulação [da fala] era ininteligível, exceto quando frases familiares eram empregadas. Ocasionalmente, no entanto, uma frase surgia com tal nitidez surpreendente que era difícil acreditar que o falante não estivesse por perto."
Embora tenha sido o mais bem-sucedido, Bell não fora o primeiro a intentar esse feito. Outros pesquisadores e cientistas antes dele já haviam se dedicado a produzir um telefone viável, mas foi Bell que levou a cabo a invenção e criou, em seguida, a primeira companhia telefônica do mundo: a Bell Telephone Company, que se tornou, depois, American Telephone and Telegraph Company.