O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu nesta segunda-feira (24) uma ordem executiva impondo uma tarifa de 25% sobre qualquer país que compre petróleo ou gás da Venezuela. A medida tem o objetivo de aumentar a pressão econômica sobre o governo de Nicolás Maduro e afetará importadores estratégicos como China, Índia, Espanha e Itália. A tarifa entrará em vigor a partir do próximo dia 2 de abril.
A China, maior compradora de petróleo venezuelano, se posicionou contra a iniciativa. Durante coletiva regular de imprensa do Ministério das Relações Exteriores chinês nesta terça-feira (25), o porta-voz Guo Jiakun observou que os EUA há muito abusam de sanções unilaterais ilegais e da chamada "jurisdição de longo alcance", interferindo grosseiramente nos assuntos internos de outros países.
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“A China se opõe firmemente a tais ações. Instamos os EUA a cessarem sua interferência nos assuntos internos da Venezuela, a suspenderem suas sanções unilaterais ilegais contra o país e a tomarem medidas que contribuam para a paz, estabilidade e desenvolvimento da Venezuela e de outras nações”, afirmou.
Guo reforçou que "guerras comerciais e tarifárias não têm vencedores" e que a imposição de tarifas adicionais prejudicará empresas e consumidores dos EUA. Pequim reiterou que manterá relações comerciais com a Venezuela e tomará medidas para proteger seus interesses econômicos.
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Resposta da Venezuela
O governo da Venezuela rejeitou com veemência a nova tarifa. Em comunicado oficial, Caracas classificou a medida como "arbitrária, ilegal e desesperada", reforçando que as sanções fracassaram em seu objetivo de desestabilizar o país.
O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela acusou os EUA de violar normas do comércio internacional, incluindo o princípio da Nação Mais Favorecida (Artigo I do GATT 1994) e a proibição de restrições quantitativas (Artigo XI do GATT 1994). O governo Maduro prometeu recorrer a organismos internacionais para contestar a decisão.
"Não conseguiram e não conseguirão nos deter. A política de máxima pressão fracassou na Venezuela e no mundo", declarou o governo.
Histórico das sanções dos EUA contra a Venezuela
As sanções de Washington contra Caracas se intensificaram nos últimos anos. Em 2015, Barack Obama declarou a Venezuela uma ameaça à segurança nacional e impôs sanções a funcionários do governo.
Em 2017, Trump proibiu o acesso do governo Maduro a mercados financeiros dos EUA. Em 2019, Washington sancionou a estatal petrolífera PDVSA, cortando uma importante fonte de renda do país.
Com o retorno de Trump à Casa Branca, a postura contra a Venezuela se tornou ainda mais rígida. A tarifa de 25% sobre países que compram petróleo venezuelano representa um passo adicional na tentativa de isolar economicamente o governo Maduro.
China e Venezuela: uma relação comercial estratégica
A China tem sido um dos principais parceiros comerciais da Venezuela, especialmente no setor energético. Em 2012, Pequim chegou a importar cerca de 640 mil barris diários de petróleo venezuelano, parte deles destinados ao pagamento de empréstimos concedidos pelo governo chinês a Caracas.
Em 2009, os dois países anunciaram a construção de três refinarias na China para processar petróleo venezuelano. Além disso, Pequim investiu bilhões na Venezuela através do Fundo Conjunto China-Venezuela, financiando projetos de infraestrutura e energia. Em 2010, a China aprovou um crédito de US$ 20 bilhões para desenvolvimento no país sul-americano.
Apesar das sanções e dificuldades econômicas, a China mantém seu apoio à Venezuela, buscando preservar seus investimentos e garantir o fornecimento de petróleo. Pequim também exporta para Caracas produtos manufaturados, máquinas e eletrônicos.
Impacto global e reações internacionais
A decisão de Trump gerou reações internacionais, principalmente da China, que acusa os EUA de interferência nos assuntos internos da Venezuela. A medida também pode afetar as relações comerciais dos EUA com países importadores de petróleo venezuelano, como Espanha e Itália.
Para a Venezuela, a tarifa de 25% representa um novo desafio econômico e pode dificultar ainda mais o acesso do país ao mercado global de energia. No entanto, Maduro pode buscar aprofundar sua cooperação com aliados como China e Rússia para contornar as restrições impostas por Washington.
A Venezuela também mantém relações comerciais com outros países importantes:
- Índia: Importa principalmente petróleo venezuelano.
- Estados Unidos: Historicamente, um dos maiores importadores de petróleo venezuelano.
- Espanha: Mantém laços comerciais relevantes por meio da empresa Repsol.
- Brasil: Exporta carnes, bovinos vivos, celulares, pneus, óleo de soja refinado e açúcar de cana para a Venezuela.
O endurecimento das sanções reforça a estratégia de Washington de isolar economicamente o governo Maduro e pressionar por mudanças políticas no país. Resta saber como as nações afetadas pela tarifa reagirão nos próximos meses.
Produção global de petróleo x reservas
Os maiores produtores de petróleo do mundo desempenham um papel crucial na economia global, influenciando preços e a estabilidade do mercado energético.
Atualmente, os Estados Unidos lideram a produção global, seguidos por Arábia Saudita e Rússia. Confira os 10 maiores produtores de petróleo em 2024:
- Estados Unidos: 13,2 milhões de barris por dia (bpd), com previsão de 13,52 milhões bpd em 2025.
- Arábia Saudita: 10,67 milhões bpd.
- Rússia: 10,53 milhões bpd.
- Canadá: 5,97 milhões bpd.
- China: 5,34 milhões bpd.
- Iraque: 4,51 milhões bpd.
- Irã: 4,50 milhões bpd.
- Brasil: 4,28 milhões bpd.
- Emirados Árabes Unidos: 4,17 milhões bpd.
- Kuwait: 2,78 milhões bpd.
A produção de petróleo de um país pode variar conforme investimentos, políticas internas e condições geopolíticas. No caso da Venezuela, embora o país não figure entre os maiores produtores atualmente, tem as maiores reservas provadas de petróleo do mundo, totalizando 300,9 bilhões de barris.
As reservas provadas de petróleo representam os volumes que podem ser extraídos com razoável certeza, considerando as condições econômicas e tecnológicas atuais. A seguir, os 15 países com os maiores estoques:
- Venezuela: 300,9 bilhões de barris.
- Arábia Saudita: 266,5 bilhões de barris.
- Canadá: 169,7 bilhões de barris.
- Irã: 158,4 bilhões de barris.
- Iraque: 150,0 bilhões de barris.
- Rússia: 103,2 bilhões de barris.
- Kuwait: 101,5 bilhões de barris.
- Emirados Árabes Unidos: 97,8 bilhões de barris.
- Estados Unidos: 68,8 bilhões de barris.
- Líbia: 48,4 bilhões de barris.
- Nigéria: 36,9 bilhões de barris.
- Cazaquistão: 30,0 bilhões de barris.
- China: 26,0 bilhões de barris.
- Argélia: 12,2 bilhões de barris.
- Brasil: 12,7 bilhões de barris.
Apesar de deter a maior reserva do mundo, a Venezuela enfrenta desafios técnicos e econômicos que limitam sua produção. A extração e refino do petróleo venezuelano, especialmente da Faixa Petrolífera do Orinoco, demandam tecnologia avançada e investimentos que o país tem dificuldade em obter. Além disso, sanções internacionais e instabilidades políticas impactam negativamente sua capacidade de exportação.