Uma cartela com 30 unidades de ovos já chegou a custar R$ 40 em mercados brasileiros na última semana. Nos EUA, os preços médios das cartelas, que não costumavam chegar a US$ 5, agora já atingiram a marca de US$ 10 em algumas regiões.
No Brasil, foi um aumento de 0,78% só no mês de janeiro, estima a Associação Brasileira de Supermercados (Abras); e a alta em fevereiro foi de 40% no atacado, de acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
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Nos EUA, segundo dados da AP, os preços migraram de US$ 1,09, em setembro, para US$ 4,95 no final de janeiro.
Os motivos da alta dos ovos são diferentes aqui e lá: nos EUA, o que contribuiu foi, principalmente, o surto recente de gripe aviária, que atingiu grandes produtores e levou ao abate de quase 158 milhões de aves entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025.
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No Brasil, por outro lado, pesam os fatores climáticos, marcados pelo aumento significativo do calor, que afeta negativamente a produção; e econômicos, como o maior preço de outras proteínas — que leva a uma opção natural pelo ovo e exerce pressão sobre a demanda interna —, além da crise já mencionada na oferta norte-americana.
Um outro fator importante é o maior custo do milho (usado como alimento nos aviários). Desde julho de 2024, a saca de milho já aumentou 30%, segundo dados do Instituto Ovos Brasil.
A demanda por ovos tem sido pressionada, no Brasil, principalmente pelo preço mais alto das demais carnes no mercado interno, como a carne bovina (cuja valorização recente fez com que os produtores dessem preferência às exportações), o frango e a carne suína. Mas também se relaciona à aproximação da Quaresma, que antecede o feriado de Páscoa, quando a variação nos preços costuma ocorrer naturalmente. Nesse período, o consumo de carne vermelha é reduzido, e cresce o consumo de ovos.
De acordo com especialistas, como o corpo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os preços devem continuar em subida até a Páscoa, e depois podem se estabilizar num "meio termo" da curva de oferta e demanda — um pouco mais altos do que antes, mas menos expressivos do que as altas recentes têm indicado.
De acordo com o presidente Lula, em entrevista à Rádio Tupi, na última quinta-feira (20), também se espera que o preço da carne recue nos próximos meses: "nós vamos trazer o preço para baixo", disse ele, que também chamou de absurdos os novos preços dos ovos.
A alta nos preços das demais proteínas, que pressionou a demanda pelos ovos, foi associada a uma melhoria do PIB e da renda, que, somadas à desvalorização do real, tornam a exportação mais vantajosa que a venda no mercado interno, e inflacionam os preços aqui.