ROMA

Déficit de inteligência pode ter sido herança do Império Romano a suas populações, diz estudo

De acordo com artigo publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, uma antiga prática do Império pode ter afetado negativamente suas populações

Roman Capriccio e outros monumentos - pintura.Créditos: Giovanni Paolo Panini
Escrito en CULTURA el

Entre 27 a.C. e 476 d.C., o Império Romano dominou parte considerável do mundo, do Reno ao Egito, e estendendo-se da Europa à Ásia Menor. O Império foi permeado de contribuições culturais, no direito, na arte, na literatura e na arquitetura, que foram especialmente relevantes na formação da cultura ocidental clássica.

Pesquisadores têm se dedicado a analisar, no entanto, contribuições mais 'negativas' do Império Romano à herança de seus territórios: uma delas pode, inclusive, ter afetado suas capacidades mentais, e afetado seu nível de QI (Quociente de Inteligência, que quantifica a capacidade cognitiva dos indivíduos). 

De acordo com um artigo publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, a cunhagem de moedas realizada durante as eras romanas, que utilizava chumbo, pode ter contribuído para espalhar a poluição e a intoxicação por esse metal ao longo de territórios em que ocorria, assim como áreas distantes, já que a poluição era carregada pelos ventos na atmosfera.

Da classe dos metais pesados, o chumbo produz diversos efeitos negativos no funcionamento dos sistemas nervosos central e periférico, e pode afetar funções cognitivas relacionadas à memória, à irritação, apatia, concentração, libido, e causar déficits de inteligência.

Os pesquisadores afirmam que camadas de gelo coletadas de regiões na Rússia e na Groenlândia mostraram a dispersão de concentrações de chumbo consideradas relevantes, que podem ter estado suspensas na atmosfera devido à mineração praticada pelos romanos e ter sido transportadas ali ao longo do tempo com os ventos, precipitando em forma de neve.

Após realizar análises atmosféricas e de comparar estudos epidemiológicos de diferentes épocas, os cientistas concluíram que as emissões de chumbo da época romana, relacionadas à mineração para a produção de moedas, pode ter causado danos mais graves na saúde dos antigos por mais de dois mil anos.

A quantidade total de chumbo lançada na atmosfera pode ter chegado a até 4.600 toneladas, excedendo a quantidade de 150 ng /m³ (nanograma por metro cúbico) nas regiões de atividades metalúrgicas.

Na Europa, estima-se ter havido >1,0 ng/m³ de chumbo durante a Pax Romana, o ápice governista de Roma sobre suas províncias, marcado por um prolongado período de paz e prosperidade.

A exposição de longo período a essa quantidade de chumbo pode ter causado deficiências cognitivas, que levaram à redução do QI, à dificuldade de aprendizado e a um maior risco de desenvolver distúrbios neurológicos, apontam especialistas.

Além disso, a quantidade de chumbo estimada no sangue das pessoas expostas às emissões do metal em regiões do Império Romano marcadas pela mineração foi estimada em 2,4 µg/dl (microgramas por decilitro) — essa quantidade, embora esteja abaixo dos limites considerados críticos por órgãos como o CDC (Centers for Disease Control and Prevention), dos EUA, que indica 3,5 µg/dl como teto, pode ter provocado alterações no organismo dos afetados por sua exposição ao longo do tempo.

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