Entre 27 a.C. e 476 d.C., o Império Romano dominou parte considerável do mundo, do Reno ao Egito, e estendendo-se da Europa à Ásia Menor. O Império foi permeado de contribuições culturais, no direito, na arte, na literatura e na arquitetura, que foram especialmente relevantes na formação da cultura ocidental clássica.
Pesquisadores têm se dedicado a analisar, no entanto, contribuições mais 'negativas' do Império Romano à herança de seus territórios: uma delas pode, inclusive, ter afetado suas capacidades mentais, e afetado seu nível de QI (Quociente de Inteligência, que quantifica a capacidade cognitiva dos indivíduos).
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De acordo com um artigo publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, a cunhagem de moedas realizada durante as eras romanas, que utilizava chumbo, pode ter contribuído para espalhar a poluição e a intoxicação por esse metal ao longo de territórios em que ocorria, assim como áreas distantes, já que a poluição era carregada pelos ventos na atmosfera.
Da classe dos metais pesados, o chumbo produz diversos efeitos negativos no funcionamento dos sistemas nervosos central e periférico, e pode afetar funções cognitivas relacionadas à memória, à irritação, apatia, concentração, libido, e causar déficits de inteligência.
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Os pesquisadores afirmam que camadas de gelo coletadas de regiões na Rússia e na Groenlândia mostraram a dispersão de concentrações de chumbo consideradas relevantes, que podem ter estado suspensas na atmosfera devido à mineração praticada pelos romanos e ter sido transportadas ali ao longo do tempo com os ventos, precipitando em forma de neve.
Após realizar análises atmosféricas e de comparar estudos epidemiológicos de diferentes épocas, os cientistas concluíram que as emissões de chumbo da época romana, relacionadas à mineração para a produção de moedas, pode ter causado danos mais graves na saúde dos antigos por mais de dois mil anos.
A quantidade total de chumbo lançada na atmosfera pode ter chegado a até 4.600 toneladas, excedendo a quantidade de 150 ng /m³ (nanograma por metro cúbico) nas regiões de atividades metalúrgicas.
Na Europa, estima-se ter havido >1,0 ng/m³ de chumbo durante a Pax Romana, o ápice governista de Roma sobre suas províncias, marcado por um prolongado período de paz e prosperidade.
A exposição de longo período a essa quantidade de chumbo pode ter causado deficiências cognitivas, que levaram à redução do QI, à dificuldade de aprendizado e a um maior risco de desenvolver distúrbios neurológicos, apontam especialistas.
Além disso, a quantidade de chumbo estimada no sangue das pessoas expostas às emissões do metal em regiões do Império Romano marcadas pela mineração foi estimada em 2,4 µg/dl (microgramas por decilitro) — essa quantidade, embora esteja abaixo dos limites considerados críticos por órgãos como o CDC (Centers for Disease Control and Prevention), dos EUA, que indica 3,5 µg/dl como teto, pode ter provocado alterações no organismo dos afetados por sua exposição ao longo do tempo.