O Navio Vital de Oliveira, um dos modelos de navio a vapor construído pela escocesa Ailsa Shipbuilding Company na primeira metade do século XX, foi usado pela Marinha do Brasil primeiro para o transporte da força naval brasileira ao longo da Baía de Assunção, nos esforços para garantir a livre navegação do rio Paraguai durante sua guerra civil, entre 1911 e 1912.
Depois, durante a Segunda Guerra Mundial, o "Itaúba" — como fora batizado pela Companhia Nacional de Navegação Costeira em 1910 — foi finalmente renomeado "Vital de Oliveira", em homenagem a seu outrora capitão, Manuel Antônio Vital de Oliveira, morto em 1867 durante a Guerra do Paraguai.
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Foi em 1944, ao partir do porto de Natal em direção ao Rio de Janeiro com as forças militares brasileiras, e escoltado por um caça submarino (Javari), que a embarcação foi atingida por um projétil explosivo lançado de um submarino alemão, o U-861, próximo ao Farol de São Tomé, na costa do Rio de Janeiro.
O torpedo que atingiu a embarcação da Marinha brasileira deixou 99 pessoas mortas, de um total de 270 a bordo do navio, que naufragou.
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"Já havíamos ultrapassado o Cabo de São Tomé, e nos aproximávamos de Cabo Frio", conta uma carta escrita por um dos sobreviventes do naufrágio, Oscar Gabriel Soares. "Eram aproximadamente 23 horas e 55 minutos (esta hora marcava meu relógio, que salvou-se comigo) quando ouvimos uma forte explosão e os gritos de torpedo".
Após 80 anos desse acontecimento, o Vital de Oliveira, que permanecera afundado a 65 quilômetros da costa de Macaé, no Rio, foi reencontrado pela Marinha. Embora o achado tenha sido feito no dia 16 de janeiro, só foi revelado no começo de fevereiro de 2025.
A participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial envolveu o envio de uma Força Expedicionária de mais de 25 mil soldados, conta Eduardo Heleno, professor de Estudos Estratégicos da UFF (Universidade Federal Fluminense) ao Diário do Rio.
"Uma das motivações para o Brasil entrar em guerra foi exatamente o afundamento de diversos navios mercantes brasileiros, não só no Atlântico, como no Mediterrâneo", prossegue.
A partir de uma expedição de busca formada por militares e mergulhadores, além de equipamentos de busca avançada, a Testes de Mar e Comissionamento, a embarcação pôde ser identificada — mas o primeiro sinal de sua localização foi a vista de um de seus canhões no fundo do mar.
Quem viu foi um pescador, que notificou os mergulhadores, e eles foram em busca dos sinais.
Agora, estão sendo desenvolvidos modelos 3D, com o auxílio de veículos de busca subaquáticos operados de forma remota, a partir de vídeos e dados técnicos colhidos no local do naufrágio.
Mais de trinta embarcações brasileiras foram abatidas durante a guerra, conta o professor Heleno ao portal carioca. O primeiro caso, um ataque a tiros realizado por aeronaves alemãs, foi em 1941, e atingiu o navio Taubaté quando ele navegava próximo ao Egito.
Em 1942, uma guerra submarina travada com os alemães no Atlântico dizimou mais embarcações do Brasil; e, de 1942 a 1944, "foram 33 navios afundados", sendo o último deles o Vital de Oliveira.