NO PRATO

Lula reduz limite de ultraprocessados na merenda escolar

O objetivo é promover uma alimentação mais saudável para os 40 milhões de alunos de escolas públicas brasileiras

Iniciativa também regulamenta aquisição de alimentos da agricultura familiar
Iniciativa também regulamenta aquisição de alimentos da agricultura familiarCréditos: Sergio Amaral/Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social
Escrito en BRASIL el

O governo federal vai reduzir de 20% para 15% o limite de alimentos processados e ultraprocessados no cardápio das escolas públicas em 2025. Em 2026, haverá uma nova redução, caindo para 10%.

A medida será anunciada nesta terça-feira (4), na  6ª edição do Encontro Nacional do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), realizado em Brasília no início da noite. O objetivo da medida é oferecer uma alimentação mais saudável aos estudantes, por meio da elaboração de cardápios mais equilibrados.

Com a iniciativa, 40 milhões de alunos em quase 150 mil escolas públicas serão beneficiados. A mudança será feita por uma alteração na Resolução nº 6/2020, que estabelece diretrizes do Pnae. O programa teve um orçamento de R$ 5,3 bilhões em 2024.

O texto também regulamenta a aquisição de gêneros alimentícios com recursos do Pnae via agricultura familiar, priorizando assentamentos de reforma agrária, comunidades indígenas e quilombolas e grupos formais e informais de mulheres. Hoje, ao menos 30% dos recursos do programa devem ser destinados à aquisição de itens da agricultura familiar.

Segundo o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional 2023, do Ministério da Saúde, uma a cada sete crianças brasileiras está acima do peso ou obesidade. Isso significa 14,2% das crianças com menos de cinco anos, enquanto a média global é de 5,6%. Entre os adolescentes, a taxa chega a 33%, o que reforça a importância da busca por alimentos e refeições mais saudáveis.

Os custos dos ultraprocessados

Segundo o estudo "Estimação dos custos da mortalidade prematura por todas as causas atribuíveis ao consumo de produtos alimentícios ultraprocessados no Brasil", realizado pelo pesquisador Eduardo Nilson, da Fiocruz Brasília e Nupens/USP, a pedido da ONG ACT Promoção da Saúde, o consumo de alimentos ultraprocessados custa R$ 10,4 bilhões anuais ao Brasil.

Deste total, de acordo com o levantamento divulgado em 2024, R$ 933,5 milhões são de custos diretos ao Sistema Único de Saúde (SUS) por ano, o que inclui despesas com hospitais, ambulatórios e medicamentos em casos de obesidade, diabetes tipo 2 e hipertensão.

Já os gastos previdenciários e por licenças profissionais são de R$ 263 milhões anuais, com os maiores custos ligados ao tratamento de diabetes tipo 2 (41% do total).

Reporte Error
Comunicar erro Encontrou um erro na matéria? Ajude-nos a melhorar