O Brasil foi surpreendido no início da manhã desta terça-feira (25) com a aparição nada prevista de Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal, onde a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra ele, pela acusação de tentar dar um golpe de Estado, começou a ser julgada. No dia anterior, o ex-presidente seguia dizendo que sequer assistiria à sessão e permanecia fazendo cara de desprezo.
Mas então, o que houve que fez com que o líder da extrema direita brasileira mudasse completamente de ideia e surgisse na plateia da 1ª Turma do STF? A resposta vem de interlocutores de Brasília que mantém convívio próximo ao antigo ocupante do Palácio do Planalto.
Te podría interesar
A mudança total de estratégia teria ocorrido no fim da noite de segunda-feira (24), após uma conversa de Bolsonaro com seu advogado, Celso Vilardi, que contou também com a presença de alguns integrantes de seu séquito mais íntimo. A ordem era uma só: “encarar e intimidar”.
Na nova tática adotada pelo ex-presidente, sentar-se na primeira fila do auditório onde fica o plenário da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, cara a cara com o relator do processo, o ministro Alexandre de Moraes, assim como também diante de outros ministros que vão julgá-lo, poderia criar algum tipo de constrangimento ou “medo” no colegiado.
Te podría interesar
A julgar pelas duas primeiras sessões da Corte, em que todos os magistrados falaram abertamente sobre suas decisões em relação a pedidos preliminares, o plano parece ter dado bem errado. Moraes, Dino e Cármen Lúcia, especialmente, faziam suas considerações e davam seus pareceres com muita eloquência e desenvoltura, muitas vezes disparando palavras, termos e raciocínios duríssimos em desfavor dos acusados.
Logo no início do julgamento, pela manhã, assim que o ministro Alexandre de Moraes tomou a palavra, a leitura do relatório de sua autoria acabou interrompida por uma gritaria vinda da plateia, uma voz de homem. Logo todos começaram a pensar que poderia ser um chilique de Jair Bolsonaro, mas não. O showzinho patético foi do advogado Sebastião Coelho, um ex-desembargador que defende o antigo assessor de assuntos internacionais Filipe Martins, tudo porque ele queria entrar no plenário, mas foi impedido porque não fez pedido prévio, já que não era dia de audiência de seu cliente.