SEM ANISTIA

Em desespero, Bolsonaro usa ditador Figueiredo falando de dinastia golpista para defender "anistia"

No desespero de defender a anistia, Bolsonaro expôs a dinastia golpista do clã Figueiredo, representada atualmente por Paulo Figueiredo, que conspira nos EUA com Eduardo Bolsonaro

João Baptista Figueiredo e Jair Bolsonaro em usina que leva o nome do ditador.Créditos: Arquivo / Alan Santos PR
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Na véspera do início do julgamento da primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que o colocará no banco dos réus pela tentativa de golpe, Jair Bolsonaro (PL) tomou mais uma medida desesperada para tentar criar comoção na horda de aliados para colocar em pauta o PL da Anistia.

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Desta vez, Bolsonaro recorreu a um discurso em que João Baptista Figueiredo, último ditador após o golpe de 64, defendia a anistia durante o processo de redemocratização do país e lembra do passado golpista de sua família.

Neto do ditador, o influenciador Paulo Figueiredo é um dos denunciados pela tentativa de golpe após a derrota do ex-presidente em 2022 e articula com Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos EUA sanções e ataques ao Brasil e autoridades brasileiras.

"Presidente Figueiredo e a anistia de 1979: 'Vi na minha própria família o amargor de ser órfão de pai vivo'", escreve Bolsonaro junto ao vídeo, divulgado em seu perfil na rede X na manhã desta segunda-feira (24).

O vídeo, datado de 28 de agosto de 1979, mostra Figueiredo sancionando a Lei da Anistia, medida negociada pelos militares para dar início ao processo de transição para colocar fim à Ditadura Militar, que foi instaurada em 1964.

Em seu discurso, o ditador usa exatamente o mesmo argumento dos bolsonaristas, de que foi "órfão de pai vivo", para defender o PL da Anistia aos golpistas presos pelos ataques de 8 de Janeiro - e que beneficia diretamente Jair Bolsonaro.

"Digo com autoridade de quem viveu a juventude e tantos anos de adulto sob a esperança de ver o pai anistiado. E o foi duas vezes. Vi, na minha própria família, o amargor de ser órfão de pai vivo", afirmou o ditador à época.

Herdeiro de uma longa dinastia militar, Figueiredo faz referência ao pai, o general Euclides de Oliveira Figueiredo, um dos líderes do Movimento de 1932 para tentar um golpe armado contra o governo Getúlio Vargas.

Após a intentona, ele foi preso e, posteriormente, exilado em Portugal e na Argentina, até a anistia, concedida em 1934. O pai de Figueiredo, no entanto, voltou a ser preso em 1938, durante o Estado Novo.

Solto, o general foi eleito deputado federal e atuou na Constituinte de 1946 pela UDN, a União Democrática Nacional, que serviu de base para a Arena (Aliança Renovadora Nacional), que serviu de base de sustentação para a Ditadura.

O Movimento de 1932 - cultuado, especialmente em São Paulo, como Revolução Constitucionalista de 1932 - é entendido por muitos historiadores como uma tentativa de golpe armado, patrocinado pela burguesia, que cooptou militares de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, para tentar derrubar o governo Getúlio Vargas.

No desespero de defender a anistia, Bolsonaro expôs a dinastia golpista do clã Figueiredo, representada atualmente por Paulo Figueiredo.

Assista ao vídeo

 

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