SÃO PAULO

"Estamos diante do caos", diz Professora Bebel sobre Educação no governo Tarcísio

Ao Fórum Onze e Meia, deputada estadual falou sobre a greve dos professores de São Paulo contra precarização do ensino público

Professora Bebel em discurso na Alesp.Créditos: Divulgação/Alesp
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A deputada estadual Professora Bebel (PT-SP) esteve no Fórum Onze e Meia, nesta quarta-feira (19), para falar sobre a paralisação dos professores de São Paulo contra o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que, de acordo com a parlamentar, enxerga as escolas como empresas para seus interesses privados

A deputada afirma que há tempos os professores batem na tecla de que a educação tem que ser de qualidade para além da quantidade de alunos. "É um binômio que tem que caminhar junto, quantidade com qualidade", diz Bebel. No entanto, a deputada acrescenta que, ao longo das últimas décadas, os professores perceberam que "qualquer proposta positiva, quando implantada no estado de São Paulo, fica ruim".

Um exemplo, segundo a parlamentar, é a defesa do tempo integral nas escolas para oferecer melhor escolaridade para filhos e filhas da classe trabalhadora, para que tenham uma educação básica de mais qualidade.  

Porém, ela destaca que "quando você debate tempo integral, você não debate só para ter aumento de horas, você debate também quais são os elementos que podem garantir uma educação de qualidade. Então, tem a ver com o número de alunos por salas de aula, tem a ver com as condições de trabalho dos professores, salário, formação contínua e forma de contratação", diz. 

"Agora, como garantir educação de qualidade com mais de 100 mil professores admitidos de forma precária? Essa atribuição de aulas foi uma bagunça deliberada", destaca Bebel. De acordo com a deputada, o modelo implementado por Tarcísio gerou "descontentamento, demissão de professores e professores sem salários".

"O governo Tarcísio não está nem aí com a hora do Brasil", diz, e acrescenta que os interesses do governador são apenas a privatização e as escolas cívico-militares.

"É um governo de ultra-direita, ultra-autoritário. As pautas defendidas pelo bloco deles, que envolve a base governista, são fascistas. São pautas, por exemplo, que não permite que você debata direitos humanos, orientação sexual, racismo, LGBT. Nada disso pode ser debatido, segundo eles", declara Bebel. 

Ela ainda conta que os professores que debatem esses temas chegam a ser perseguidos. "Nós estamos diante do caos. Nós estamos com a extrema direita com uma pauta conservadora e tentando transformar a escola em empresa", completa. 

Abaixo do piso nacional

Bebel ainda relata que os professores do estado de São Paulo ganham abaixo do piso salarial nacional e, para se chegar a esse limite, o governador dá uma bonificação. "Nós estamos precisando imediatamente recompor o piso salarial profissional nacional pelo menos deste ano", diz. 

"Esse é o triste quadro da escola pública no estado de São Paulo", declara Bebel. Ela afirma que se antes os professores do estado enfrentavam um governo neoliberal, agora precisam lidar com uma gestão ultraliberal. 

"Contra essas injustiças que eu acredito que os professores devam ir para greve. Pela dignidade, pelo emprego, mas também porque o professor faz a diferença na escola. É o professor que garante a qualidade de ensino", defende Bebel. Ela acrescenta que haverá um calendário de luta e mobilização pelas próximas semanas, além da convocação de um grande ato.

Confira entrevista completa da deputada Professora Bebel ao Fórum Onze e Meia 

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