Logo após a fala histórica do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que se dirigiu aos ataques feitos a ele pelo governo norte-americano liderado por Donald Trump dizendo que o Brasil “deixou de ser colônia em 7 de setembro de 1822”, quem tomou a palavra foi o presidente da Corte, o ministro Luís Roberto Barroso.
Em geral, aquele que preside o STF tem posturas mais institucionais e procura medir suas palavras quando assuntos espinhosos estão em pauta. No entanto, não foi assim que Barroso agiu. Num breve e demolidor discurso, o magistrado que lidera a mais alta corte do Judiciário nacional deixou claro que eles e seus colegas de tribunal não vão ter medo de ameaças e nem fugir da verdade, enfatizando que houve sim uma tentativa de golpe de Estado no país e que esses golpistas irão encarar a lei e a Justiça.
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“Sabemos o que tivemos de passar para evitar o colapso das instituições e um golpe de Estado aqui no Brasil. A tentativa de fazer prevalecer a narrativa dos que apoiaram o golpe não haverá de prevalecer entre as pessoas verdadeiramente de bem e democratas. O Supremo Tribunal Federal continuará a cumprir o seu papel de guardião da Constituição e da democracia. Nós não tememos a verdade”, disse Barroso.
Dino também se solidarizou com Moraes e debochou de bolsonaristas
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“São compromissos indeclináveis, pelos quais cabe a todos os brasileiros zelar, por isso manifesto a minha solidariedade pessoal ao colega Alexandre de Moraes”, escreveu Dino em referência ao colega de Corte, ao falar sobre o comprometimento que cada cidadão deve ter na preservação da democracia brasileira, sobretudo quando se faz parte da mais alta instância do poder Judiciário nacional.
Entre as “punições” que Moraes poderia receber das autoridades norte-americanas está a suspensão de seu visto para entrar nos EUA, uma bobagem que só tem valor para os fanáticos seguidores do ex-presidente. Sobre isso, Dino usou de seu humor ácido e inteligente para debochar da hipótese, o que enfureceu os bolsonaristas.
“Tenho certeza de que ele permanecerá proferindo ótimas palestras em todo o território brasileiro, assim como nos países irmãos. E se quiser passar lindas férias, pode ir para Carolina, no Maranhão. Não vai sentir falta de outros lugares com o mesmo nome”, tirou sarro o ministro.
Perseguido por pressão da gangue Bolsonaro
Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos e processos relacionados à tentativa de golpe de Estado desfechada por Jair Bolsonaro (PL) e seus colaboradores entre o fim de 2022 e o começo de 2023, vem sendo alvo de ataques do governo recém-empossado do presidente dos EUA Donald Trump, infernizado dia e noite por bolsonaristas, sobretudo pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que exigem sanções e “punições” para o magistrado que julgará seu pai, implorando para que uma nação estrangeira interfira nos assuntos internos do Brasil. Na prática, um ato de traição e de lesa-pátria.
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