FASCISMO

"Ditadura sanguinária", afirma Ivan Valente sobre pretensão de Bolsonaro com golpe

Em entrevista ao Fórum Onze e Meia, deputado afirma que não há como ex-presidente escapar da prisão após denúncia da PGR

Ex-presidente Jair Bolsonaro.Créditos: Valter Campanato/Agência Brasil
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O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) esteve no Fórum Onze e Meia desta quinta-feira (20) e falou sobre a tentativa de golpe de Estado comandada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como apontou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentada nesta semana. 

O parlamentar defende que a peça produzida pela PGR é "consistente, robusta e tem um encadeamento lógico muito importante". Por isso, Ivan afirma que os bolsonaristas ficaram "desesperados". "A denúncia é consistente e certamente vai levar o Bolsonaro como chefe e todos os que foram arrolados e os que virão a ser arrolados. Há um julgamento justo e a palavra é cadeia. Não tem como escapar", diz. 

"É gravíssima a denúncia. Essa ideia de que não houve uma tentativa de golpe de Estado se esfarela. A declaração do Ministro do Exército ameaçando dar voz de prisão para o Bolsonaro e o relato de que discutiram os três ministros: da Marinha, que topou colocar tropas na rua; da Aeronáutica que se negou; e do Exército, já seriam suficientes [para comprovar a tentativa de golpe]", declara o deputado.

Valente acrescenta que a minuta do golpe não foi feita só por Anderson Torres, mas também por Bolsonaro, que redigiu a redação final na casa do ex-ministro da Defesa, Braga Netto, convocando a ação dos "kids pretos". O deputado afirma que isso seria uma "ação de morte, de assassinato político".

Para o deputado, o desejo de Bolsonaro com o golpe seria implementar uma "ditadura sanguinária" no país e, por isso, chamou como parceiros Braga Netto e o general do Exército, além do ex-ministro de Bolsonaro, Augusto Heleno.

"Ele [Bolsonaro] foi planejador, incentivador, estimulador e inconformado. Mesmo quando alguns bolsonaristas falavam 'não dá mais', ele queria se perpetuar no poder, ou seja, uma ditadura sanguinária, e aí ele pegou como parceiro o Braga Netto, o Heleno. Esses caras 'estão para tudo', sempre estiveram na ditadura e na repressão", afirma Ivan, que foi preso e torturado durante a ditadura militar no Brasil.

Bolsonaro vai rachar seu próprio campo

O deputado também avalia que a postura de Bolsonaro de defender a permanência do seu nome como principal candidato da extrema direita nas eleições de 2026 vai fazer com que o ex-presidente rache "seu próprio campo". 

"Eu acho que o Bolsonaro continua errando, porque ele acha que se colocar como candidato é uma proteção para ele. E vai ter uma hora que ele vai rachar o próprio campo dele. Porque tem uma burguesia, uma elite sem vergonha no Brasil, essa que sempre foi predadora, que acha que o Bolsonaro não dá mais", diz Ivan. Para esse grupo, uma via poderia ser o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de acordo com o deputado.

"Ninguém quer perder o espólio fascista do Bolsonaro, mas ao mesmo tempo, estão falando: 'Isso aí é meio passado e nós temos que tirar o Lula'", acrescenta. "Nós vamos viver um ano muito intenso", avalia o deputado, que destaca ter certeza da prisão de Bolsonaro.

Confira a entrevista completa do deputado federal Ivan Valente ao Fórum Onze e Meia 

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