Sem representantes do Legislativa e do Judiciário no palanque para assistir ao desfile de 7 de Setembro, Jair Bolsonaro (PL) escalou o empresário golpista Luciano Hang, o véio da Havan, para ocupar lugar nobre, ao lado do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
O isolamento de Bolsonaro se deu justamente por receio de possíveis declarações golpistas, que se cumpriram na primeira fala pública do dia, quando lembrou o golpe militar de 64, fez alusão ao processo contra Dilma Rousseff (PT) em 2016 e ao lawfare que impediu Lula (PT) de se candidatar em 2018 e incitou um novo atentado contra a Democracia em meio à disputa eleitoral deste ano.
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"Quero dizer que o brasileiro passou por momentos difíceis, a história nos mostra. 22, 35 [Intentona Comunista], 16, 18 e agora, 22. A história pode repetir. O bem sempre venceu o mal", afirmou em uma espécie de culto no Planalto, antes de sair para o desfile militar na Esplanada dos Ministérios.
Tanto Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, quanto Arthur Lira (PP-AL), que preside a Câmara e é considerado braço direito de Bolsonaro no Legislativo, não compareceram. As altas cortes do Judiciário, como o Supremo Tribunal Federal (STF), também não enviaram representantes.
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Militares e radicais
Bolsonaro está cercado em Brasília dos militares, que desfilam anualmente na data, e de apoiadores radicais, que se mobilizaram em todo o Brasil, mas chegaram em um número menor que o esperado na capital federal.
Com camisas amarelas e bandeiras do Brasil, os bolsonaristas carregam cartazes e faixas com chavões ditos pelo presidente e palavras de apoio ao golpe, além da costumeira adulação a Donald Trump. Em um dos cartazes, escrito em inglês, apoiadores fazem a fusão dos nomes dos ultradireitistas: BolsoTrump.
Tratores com bandeiras do Brasil também desfilaram antes dos tanques aos gritos de "agro, agro" da plateia.
Manifestantes ainda carregam cartazes contra William Bonner e a Rede Globo, além das já conhecidas frases golpistas como "fora, STF".