Mariana: dez anos após desastre, pesquisa evidencia perda de biodiversidade e danos irreparáveis

Mais de 400 mil pessoas impactadas, no entanto, não serão indenizadas para receber compensação na ação judicial movida contra a mineradora no Reino Unido

Créditos: Corpo de Bombeiros (MG)/Divulgação
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Uma década após um dos mais graves desastres ambientais da história, um estudo recente da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revelou que a diversidade de árvores na mata ciliar do Rio Doce sofreu uma redução significativa, com uma queda de até 50% nas espécies adultas e 60% nas mudas, devido à contaminação por rejeitos de minério. 

Publicado na revista Anthropocene, da Universidade de Quebec, foram analisados 30 pontos em 12 municípios da bacia do rio Doce e observado que os rejeitos de minério comprometeram a diversidade vegetal. Geraldo Fernandes, líder da pesquisa, ressaltou que essa perda afeta a capacidade da área de resistir a mudanças climáticas e ao avanço de espécies invasoras, alterando a estrutura da vegetação e o comportamento da fauna local, que depende dessas plantas para sobreviver.

Além das implicações ambientais, o desastre de Mariana continua em aberto no no campo judicial. A renegociação do acordo de reparação, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no final de 2024, deixou de fora 60% dos afetados que ingressaram com ação contra a BHP no Tribunal Superior de Londres. Mais de 400 mil requerentes não serão beneficiados pelo acordo nacional, conforme o balanço financeiro da empresa.

O escritório Pogust Goodhead, que representa 640 mil clientes no processo contra a BHP em Londres, analisou os dados e concluiu que apenas 233 mil pessoas – ou 36% do total – se enquadram nos critérios do novo acordo. O governo brasileiro previa que entre 300 mil e 500 mil indivíduos seriam contemplados.

Aqueles que optarem pelo acordo no Brasil terão que desistir da ação movida na Inglaterra. As prefeituras das cidades atingidas têm até 6 de março para tomar uma decisão, mas, conforme apurado pelo Estado de Minas, os prefeitos de 23 municípios já anunciaram que não aceitarão os termos da repactuação nacional. Eles defendem uma renegociação para garantir uma compensação mais justa às comunidades afetadas.

Paralelamente, o Ministério da Saúde lançou o Programa Especial de Saúde do Rio Doce, com um orçamento de R$ 12 bilhões para auxiliar a população atingida, segundo Agência Brasil e Poder 360.

Do montante total, R$ 3,6 bilhões serão direcionados para iniciativas do Ministério da Saúde, além de investimentos dos governos de Minas Gerais, Espírito Santo e das prefeituras das regiões atingidas. Já os R$ 8,4 bilhões restantes formarão um fundo patrimonial de caráter perpétuo, garantindo a manutenção das políticas de saúde pública voltadas às comunidades afetadas pelo desastre. 

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