ARQUEOLOGIA

Homo naledi já enterrava seus mortos há 250 mil anos, revela pesquisa surpreendente

Descobertas colocam em xeque teorias anteriores que atribuíam prática apenas aos humanos modernos e aos neandertais

Créditos: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Escrito en HISTÓRIA el

Pesquisas recentes sugerem que o Homo naledi, um parente extinto dos seres humanos modernos, pode ter praticado sepultamentos e até criado gravuras em cavernas há cerca de 250.000 anos. Essas descobertas desafiam teorias anteriores, que atribuíam essas práticas apenas aos humanos modernos e aos neandertais.

Em 2023, um estudo preliminar indicou que o Homo naledi realizava sepultamentos intencionais e deixava marcas nas rochas em um sistema de cavernas na África do Sul. No entanto, especialistas questionaram a robustez das evidências. Agora, uma revisão publicada em 28 de março de 2025 na revista eLife, liderada pelo paleoantropólogo Lee Berger, apresenta novas evidências que aumentam a credibilidade dessas hipóteses.

Em 2013, arqueólogos descobriram mais de 1.500 ossos de Homo naledi no sistema de cavernas Rising Star. A anatomia da espécie, caracterizada por indivíduos bípedes de cerca de 1,5 metro de altura e cérebros pequenos, mas complexos, alimentou debates sobre a sofisticação de seu comportamento social e cultural.

Em 2017, Berger propôs que o Homo naledi enterrava seus mortos de forma deliberada. Em 2023, novas evidências reforçaram essa teoria, incluindo sepultamentos em fossas rasas e um artefato de pedra encontrado em um dos enterros, sugerindo uma possível oferenda funerária.

Embora a teoria tenha gerado controvérsias, a equipe de Berger respondeu com uma análise mais detalhada, incluindo uma linha do tempo do processo de decomposição dos corpos. Alguns especialistas agora consideram as evidências convincentes, sugerindo que o Homo naledi sepultava seus mortos de maneira repetitiva e padronizada.

Além disso, a pesquisa revelou gravuras nas paredes das cavernas, feitas intencionalmente com ferramentas de pedra. Essas marcas, que se assemelham a formas geométricas e "hashtags", indicam um comportamento cultural complexo. Localizadas perto dos sepultamentos, as gravuras sugerem que o Homo naledi pode ter modificado o espaço da caverna com fins simbólicos, possivelmente para memorializar os mortos.

Berger acredita que essas gravuras indicam um espaço cultural, refletindo uma "dor compartilhada" semelhante à que os humanos experimentam. Contudo, especialistas como Sheela Athreya e Jonathan Marks questionam a interpretação das evidências sobre a intencionalidade e o significado das marcas.

Essas descobertas forçam uma reavaliação do entendimento sobre a capacidade cognitiva e cultural do Homo naledi, ampliando o conhecimento sobre a evolução das práticas culturais e sociais dos hominídeos. Se confirmadas, essas conclusões indicam que o Homo naledi desempenhou um papel mais complexo na história da humanidade do que se pensava.

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