Enquanto países como EUA e Brasil experimentam uma crise nos preços do ovo de galinha, que subiram até 14% entre novembro e dezembro do ano passado e têm estimativas de aumentar até 20% em 2025, algumas cidades na França e na Bélgica têm distribuído galinhas de graça para seus moradores por motivos estratégicos, que têm a ver tanto com o fornecimento de comida como com a saúde ambiental.
O "projeto" começou por volta de 2015, conta uma reportagem da BBC, quando a cidade de Colmar, no nordeste da França, na região de Grande Leste, lançou um esquema conjunto com o departamento de coleta de lixo da cidade para reduzir o desperdício de alimentos que iam parar no aterro da cidade.
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O prefeito da cidade cunhou o programa, com o slogan "Uma família, uma galinha", cujo incentivo maior à população era ter ovos grátis, desde que, é claro, a criação da galinha prosperasse.
De acordo com a BBC, mais de 200 famílias em até quatro municípios próximos se inscreveram na primeira leva do programa, que deu duas galinhas para cada casa. As galinhas eram da raça Poulet Rouge — a "galinha vermelha", originária da França e conhecida por ter uma carne suculenta e macia, muito popular no preparo de pratos tradicionais da região.
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A prefeitura não disponibilizou qualquer estrutura para a criação das galinhas doadas: isso ficou em cargo das famílias, que já participam do programa, desde 2022, em todos os 20 municípios partes da "Colmar Agglomération", estrutura intercomunitária surgida em Colmar.
A quantidade total de galinhas distribuídas já ultrapassou cinco mil, e inscrições são abertas periodicamente para a participação de mais famílias no programa, afirma a matéria. A próxima abertura de "vagas" é em junho deste ano.
De acordo com as autoridades locais, o desperdício de alimentos foi reduzido de forma considerável após a iniciativa — porque as galinhas se alimentam primariamente da comida que seria, de outra forma, descartada pelas famílias no aterro da cidade —, e os ovos grátis (que podem chegar a 253 ao ano) são um suprimento considerável.
Foram mais de 273,35 toneladas de biorresíduos "evitados" desde 2015, diz o presidente da Colmar Agglomération, Eric Straumann.
Os alimentos desperdiçados ainda funcionavam, antes, como mais uma fonte de emissão de metano, gás intensificador do efeito estufa: o desperdício de alimentos soma até 10% de todas as emissões globais de gases do efeito estufa, informa a BBC, "quase cinco vezes o total de emissões do setor de aviação".
O projeto da "entrega de galinhas" não começou em Colmar, mas em outra cidade francesa. Foi Pincé, no País do Loire, a precursora da ideia, ainda em 2012.
E a França não foi, além disso, o único país a adotá-lo: duas cidades da província de Limburgo, na Bélgica, também distribuíram galinhas para mais de 2.500 famílias em apenas um ano de um programa parecido.
É uma situação muito distinta daquela avistada nos Estados Unidos, onde as cartelas de ovos podiam custar até US$ 9 a unidade; mas, desde o surto de gripe aviária que afetou a produção, o preço já disparou cerca de 36% em relação aos números de 2023.