"Eis o homem", do latim "Ecce Homo", foram palavras supostamente ditas por Pôncio Pilatos ao apresentar Jesus à multidão no dia de seu julgamento, antes de ser condenado à crucificação.
Ao longo da história, diversos artistas clássicos representaram esse momento em pinturas, como Caravaggio, em 1605; Antonio Ciseri, em 1871; e Tiziano (ou Ticiano), em 1543.
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A obra Ecce Homo de Tiziano Vecelli, uma das famosas pinturas do Renascentismo, foi feita conforme a tradição veneziana, com um forte contraste de luz e sombras, cores vibrantes e traços expressivos, e representa, de forma sensível, nas feições marcadas e no semblante baixo, a humilhação de Jesus Cristo, coroado de espinhos, durante seu julgamento.
Jesus aparece envolto num manto vermelho brilhante e é acompanhado, à esquerda, por Pôncio Pilatos, que está vestido com um traje decorado.
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Essa icônica pintura passou por uma reviravolta na última semana, quando pesquisadores do Instituto de Chipre (CYI, na sigla em inglês), na Ilha de Chipre, após submetê-la a uma observação microscópica, e usando uma combinação de técnicas de imagens de raios X, descobriram pigmentos diferentes em espaços "craquelados" da obra, pequenas rachaduras comuns em pinturas muito antigas.
Aparentemente, havia um segredo sob a pintura, de acordo com os pesquisadores: as análises revelaram um "rosto enterrado" sob a imagem de Jesus, que correspondia a um retrato particular.
O "rosto" permanecera ali, encoberto pela obra-prima de Tiziano Vecellio, durante séculos.
E o retrato representado parece ser o de "um banqueiro", ou até de um "advogado". A imagem parece retratar "um profissional em seu espaço de trabalho", de acordo com o historiador Nikolas Bakirtzis, que liderou as análises.
Reutilização
Tiziano teria reutilizado, para o seu retrato Ecce Homo, uma tela antiga, parcialmente finalizada, de um retrato virado de cabeça para baixo, que mostra o perfil de um homem cuja identidade é desconhecida.
E ele pode, inclusive, ter aproveitado elementos do retrato para a sua obra, afirma Bakirtzis, como "o uso da linha do maxilar" do retrato, que ajudou a delinear as cordas que amarram os pulsos de Cristo, como conta a CNN.