O governo Lula anunciou nesta quarta-feira (12) um investimento pesado para impulsionar a indústria de defesa e soberania nacional. Com um aporte total de R$ 112,9 bilhões, a "Missão 6" do programa Nova Indústria Brasil (NIB) busca consolidar o desenvolvimento de tecnologias estratégicas brasileiras em setores como satélites, radares, foguetes e sistemas de segurança.
O lançamento oficial do programa ocorrerá em evento nesta quarta-feira (12) em Brasília com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin, além de representantes do setor produtivo e da sociedade civil.
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A proposta pretende alavancar a indústria nacional com projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&DI), reforçando a autossuficiência do país em tecnologias críticas.
"A indústria da defesa é fundamental para o desenvolvimento de tecnologias de ponta, que também podem ser aplicadas em serviços para o nosso dia a dia, como o GPS e os drones. Com a Nova Indústria Brasil, vamos fortalecer a indústria nacional e ampliar o potencial brasileiro sobre tecnologias de alto nível, aumentando a competitividade dos nossos produtos no mercado internacional", destacou Alckmin.
O plano prevê R$ 79,8 bilhões de investimento público e R$ 33,1 bilhões provenientes do setor privado. Dentre os aportes governamentais, destaca-se o PAC Defesa, que destinará R$ 31,4 bilhões para projetos como o desenvolvimento do caça Gripen, a ampliação da frota de cargueiros KC-390, a fabricação de viaturas blindadas, fragatas e submarinos.
O setor privado também desempenhará um papel relevante na expansão da indústria de defesa, com R$ 23,7 bilhões destinados às áreas aeroespacial e de defesa, R$ 8,6 bilhões para o setor nuclear e R$ 787 milhões para segurança e outros segmentos. Durante o evento de lançamento, a Finep e o BNDES assinarão contratos com a Embraer para financiamentos de inovação e expansão industrial.
Crescimento das exportações de defesa
Nos últimos anos, o setor de defesa brasileiro tem ampliado sua presença no mercado internacional. Em 2024, o país exportou US$ 1,8 bilhão em produtos de defesa, um aumento de 22% em relação a 2023. No ano anterior, as exportações somaram US$ 1,5 bilhão, um salto de 123% comparado a 2022.
Missão 6
Com um olhar estratégico, a "Missão 6" prioriza três grandes cadeias produtivas: satélites, radares e lançadores de veículos espaciais. A meta estabelecida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) é ampliar o controle nacional sobre tecnologias críticas de defesa, alcançando 55% de autossuficiência até 2026 e 75% até 2033. Atualmente, o Brasil detém 42,7% do domínio dessas tecnologias.
Projetos específicos também estão no radar do governo, como o foguete de decolagem para veículos hipersônicos e o reator multipropósito brasileiro, que recebeu um investimento inicial de R$ 4,2 bilhões e terá mais R$ 331 milhões injetados. O BNDES e o Banco do Brasil também entraram na equação, apoiando exportações do setor com mais de R$ 23,75 bilhões e projetando mais R$ 20 bilhões em financiamentos até 2026.