RACISMO RELIGIOSO

Cantor Wander Pires denuncia racismo religioso nas redes sociais

Segundo o cantor, os ataques começaram após a viralização de vídeos em que ele canta pontos de Malunguinho

Wander Pires, intérprete da Unidos do Viradouro
Cantor Wander Pires denuncia racismo religioso nas redes sociais.Wander Pires, intérprete da Unidos do ViradouroCréditos: Reprodução / Redes sociais
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O intérprete oficial da Unidos do Viradouro, Wander Pires, denunciou em suas redes sociais, que tem sido vítima de racismo religioso. Segundo o cantor, os ataques começaram após a viralização de vídeos em que ele canta pontos de Malunguinho, entidade afro-indígena que será homenageada no enredo da escola de samba no Carnaval de 2025.

“Estou sendo alvo de preconceito religioso após os vídeos cantando os pontos de Malunguinho repercutirem. Esse é só um dos vários comentários que recebi, me entristece demais”, escreveu Pires no X (antigo Twitter), ao compartilhar um print de uma das mensagens ofensivas.

Na sequência, o artista desabafou sobre respeito e intolerância religiosa, questionando a dificuldade de aceitação das religiões de matriz africana. “Eu não vou na rede de nenhuma pessoa atacar ou falar da vida delas. É tão difícil sambista ser respeitado? É tão difícil respeitarem uma religião? Onde está a alma que não se deve julgar dessas pessoas?”, publicou.

A postagem gerou grande repercussão e mobilizou internautas, que manifestaram apoio ao cantor. “Estamos contigo, Wander! Grande intérprete!”, comentou um seguidor. “Fico muito chateado por você estar passando por isso, você é um cara com um coração gigantesco”, escreveu outro.

Enredo homenageia Malunguinho

A Unidos do Viradouro, atual campeã do Carnaval carioca, levará para a avenida em 2025 o enredo “Malunguinho: O Mensageiro de Três Mundos”, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon. A proposta do desfile é exaltar a entidade afro-indígena que se manifesta em terreiros de Umbanda, Catimbó e Toré, especialmente no Nordeste, e que tem origem na figura de João Batista, líder do Quilombo de Catucá.

Malunguinho é representado como Caboclo, Mestre ou Exu e é conhecido por sua simbologia de resistência e proteção espiritual. A homenagem tem o objetivo de destacar a importância da entidade dentro das religiões de matriz africana e sua relevância cultural e histórica.

Racismo religioso é crime

O racismo religioso é considerado crime no Brasil e está previsto na legislação que equipara a injúria racial ao crime de racismo. A punição para quem pratica intolerância religiosa varia de dois a cinco anos de prisão, uma vez que a liberdade de crença é garantida pela Constituição Federal.

Em janeiro de 2023, a pena foi ampliada, elevando o tempo de reclusão, que antes variava de um a três anos. O endurecimento da lei visa coibir práticas discriminatórias e garantir maior proteção aos adeptos de religiões de matriz africana e outras tradições historicamente marginalizadas.

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