O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), esteve nesta quarta-feira (4) em Brasília e durante uma aparição pública foi questionado por jornalistas sobre um assunto inevitável nos últimos tempos: a onda de violência policial empreendida pela PM sob seu comando, estimulada por ele e por seu secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite.
Da semana passada para cá, o que era péssimo se tornou insuportável. Inúmeros vídeos de violência desmedida, sem qualquer justificativa, surgiram na imprensa e nas redes. Polícia executando com 11 tiros pelas costas um indivíduo que havia furtado sabão num mercado, um rapaz jogado de cima de uma ponte dentro de um córrego poluído e um condutor de motocicleta espancado e que teve o pescoço pisado por não ter habilitação.
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Assim que o primeiro repórter perguntou a Tarcísio se a confiança em Derrite seguiria firme e se estava fazendo um trabalho bom, sendo ele o principal entusiasta dessa sanguinolência, o governador respondeu irritado: “Olha os números que você vai ver que está [fazendo um bom trabalho]”.
Após ouvirem tamanho absurdo, os jornalistas seguiram repetindo a pergunta sobre a responsabilidade do secretário de Segurança Pública na onda de mortes e ações truculentas. Ainda mais irritado, ele repetiu: “Olha as estatísticas”.
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Tarcísio faz o tipo que surfa eleitoralmente sobre cadáveres empilhados. Mesmo sabendo que nada justifica dar carta branca para que a polícia saia matando pessoas indiscriminadamente nas ruas, ele ainda tenta argumentar com algo sem lógica alguma. Os índices de violência no estado de São Paulo e na região metropolitana da capital, em muitos recortes, sequer diminuíram, enquanto em outros apenas flutuaram para baixo de forma inexpressiva, muito diferente das estatísticas de violência policial, que explodiram a partir do início do mandato do bolsonarista.
Mortos pela PM praticamente dobraram com Tarcísio
O número de mortes por policiais militares em São Paulo aumentou 98% após a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite.
De acordo com dados do Ministério Público, foram registradas 355 mortes em 2022, último ano antes de Tarcísio assumir o governo paulista, enquanto neste ano o estado já soma 702 mortes. No primeiro ano à frente do governo, em 2023, a gestão de Tarcísio já havia superado o número anterior, registrando 406 mortes entre janeiro e novembro.
Os dados do MP são analisados pelo Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público (Gaesp-MPSP) e se referem a mortes cometidas por policiais militares em serviço e de folga. Porém, se considerarmos apenas os assassinatos por PMs em serviço, o aumento é ainda maior na comparação com a gestão anterior. Entre janeiro e novembro de 2022, foram 233 mortes registradas cometidas por agentes. No mesmo período em 2024, o número saltou para 600 - um aumento de 157%.