Jair Bolsonaro (PL) foi às redes sociais na noite desta quarta-feira (9) e repetiu o discurso de Adrilles Jorge antes da saudação nazista que custou sua demissão da Jovem Pan.
Em seu comentário sobre a declaração do apresentar Bruno Aiub, o Monark, que defendeu um "partido nazista" no Brasil, o bolsonarista tentou equiparar o nazismo ao comunismo.
O discurso, propagado em redes bolsonaristas e da ultradireita conservadora - que ainda prega que o nazismo é uma ideologia de "esquerda" - foi repetido por Bolsonaro em publicação no Twitter.
"É de nosso desejo, inclusive, que outras organizações que promovem ideologias que pregam o antissemitismo, a divisão de pessoas em raças ou classes, e que também dizimaram milhões de inocentes ao redor do mundo, como o Comunismo, sejam alcançadas e combatidas por nossas leis", escreveu Bolsonaro após relatar que "a ideologia nazista deve ser repudiada […] assim como toda e QUALQUER ideologia totalitária que coloque em risco os direitos fundamentais dos povos e dos indivíduos, como o direito à vida e à liberdade".
Em entrevista ao Fórum Onze e Meia, a antropóloga Adriana Dias Higa, que pesquisa a atividade de neonazistas no Brasil há décadas, disse que uma elite interessada no poder fez vista grossa a aliança entre Bolsonaro e neonazistas.
“Depois que os nazistas e os neonazistas chamaram no MASP em São Paulo o apoio a Bolsonaro em 2011 eu não vi nenhuma instituição praticamente falar fortemente contra eles. Havia uma elite muito interessada em tomar o poder, que se utiliza dos laços que deseja, e vai se utilizar do esgotamento e da extrema direita quando sentir necessidade”, afirmou a pesquisadora.
Ela exemplificou que os regimes fascistas na Alemanha e Itália surgiram dessa forma, com o crescimento de discursos de ódio e violência. “O Holocausto não começou em 1933. Os campos de concentração não surgiram do nada. Houve um grande discurso de ódio contínuo que permitiu isso, exclusivamente alimentado pelo anticomunismo”, disse Dias.