A fuga de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para os EUA fez com que seu partido corresse em cima da hora para anunciar um novo nome para ocupar a presidência da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, cargo para o qual o filho do ex-presidente de extrema direita era dado como certo para assumir. Foi então que surgiu a opção por Filipe Barros (PL-PR), uma outra figura ultrarreacionária que segue a mesma linha golpista desse grupo na sigla.
Pois bem, Barros foi mesmo escolhido para o posto e já no discurso de posse adotou um discurso delirante e cínico que parece ter ido até mesmo além na dose de maluquices do bolsonarismo na Casa. Na verdade, não foi um “papo de doido”, porque essa gente não tem nada de maluca, mas o que se pode dizer é que foi um discurso “para os doidos”, já que a quimera “ditadura brasileira” é o atual prato preferido da bolha radicalizada de seguidores de Jair Bolsonaro (PL).
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“O deputado Eduardo Bolsonaro, meu amigo, que mais recebeu votos para essa Casa na história, se exila para fugir de uma iminente perseguição de suas liberdades e de sua família. É mais um capítulo triste da recente história recente do Brasil, onde a democracia é uma palavra quase sem sentido. Onde um grupo político, nós, a direita, foi escolhido para ser eliminado da vida pública”, disse Barros.
Um detalhe: a direita domina amplamente a política brasileira, ao deter a imensa maioria dos prefeitos, governadores, deputados estaduais e federais e os senadores da República. É curioso também como “direita” no vocabulário bolsonarista é uma espécie de sinônimo para as franjas mais reacionárias e hiperradicalizadas da extrema direita.
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“Para que a nossa democracia volte a ficar de pé. A Creden [Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados] será importante ferramenta institucional para o diálogo com o mundo. Onde poderemos deixar claro que a vontade desta Casa, do povo, é soberana na democracia brasileira”, afirmou ainda.
Chega a soar como humor um deputado apoiante da tentativa de golpe de Estado fracassada que quase acabou com a democracia brasileira, e que faz parte de um setor ideológico que defende a Ditadura Militar (1964-1985), dizer que fará algo para reerguer a nossa democracia, que só está em vigor graças à derrota de seu grupo de celerados.
Barros também falou em “denunciar a ‘ditadura’ brasileira à comunidade internacional”, aparentemente ignorando o fato de que Jair Bolsonaro é visto pela quase totalidade dos países como um extremista criminoso que tentou dar um golpe de Estado e que agora irá para a cadeia como punição.
Assista ao vídeo com o “papo de doido”: