Filho "03" de Jair Bolsonaro (PL), Eduardo Bolsonaro (PL) abandonou seu mandato parlamentar no Brasil e conspira junto com congressistas dos EUA na articulação de um projeto de Lei para barrar a entrada do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no país comandado por Donald Trump.
Desde que Trump retornou à Casa Branca, em 20 de janeiro, Eduardo Bolsonaro já esteve por três vezes nos EUA para articular a vingança do clã contra Moraes, relator da investigação sobre a tentativa de golpe na suprema corte brasileira.
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Sempre ao lado de Paulo Figueiredo, neto do ditador João Baptista Figueiredo e denunciado como membro da quadrilha golpista, Eduardo Bolsonaro tem se reunido com a deputada Maria Salazar, filha de cubanos, para aprovar o Projeto de Lei que proibiria a entra de Moraes nos EUA.
"Esse projeto foi reapresentado após uma reunião que eu tive junto com o jornalista Paulo Figueiredo e com a deputada María Salazar", contou Eduardo, que está nos EUA, a Raquel Landim, do Uol.
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Segundo Eduardo, "o nosso pedido para que a deputada fosse coautora desse projeto de lei era por conta das atrocidades cometidas pelo Alexandre de Moraes no Brasil".
"Eles não querem alguém que briga com o Elon Musk, com o Jason Miller (assessor de Trump interrogado pela Polícia Federal brasileira), chuta fora do país o Rumble, bane a rede X. Eles não querem que essa pessoa tenha livre trânsito nos Estados Unidos. Existe uma visão que o Alexandre de Moraes não é uma pessoa bem-vinda nos Estados Unidos", afirmou.
Eduardo ainda conta que está fazendo lobby junto ao também deputado republicano Jim Jordan que, segundo ele, deve passar o projeto na sessão desta quarta-feira (26) do Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados.
"No mesmo dia, quando saímos da reunião com ela [Maria Salazar], nós fomos no comitê judiciário do Jim Jordan, e também conseguimos falar com ele. Ele se comprometeu a dar celeridade e está cumprindo", disse Eduardo, ressaltando que "nesta quarta-feira, [o projeto] está sendo pautado no equivalente à nossa CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e o presidente é o Jim Jordan".
Segundo Eduardo, Moraes seria punido pela Lei, caso seja aprovada, pelas "violações de direitos de liberdade de expressão ele cometeu".
"O que consigo imaginar é que é muito mais fácil tirar o seu nome do Serasa do que limpar a barra dele junto às autoridades americanas", ironizou.
Conspiração
Conspirando nos EUA com dinheiro público, Eduardo anunciou nesta segunda-feira (24) que está articulando com o deputado trumpista Richard McCormick, do partido Republicano da Georgia, a imposição de sanções ao Brasil.
Em publicação na rede X na noite desta segunda, Eduardo revelou que, em conluio com o estadunidense, quer que Donald Trump imponha sanções ao Brasil utilizando a Lei Magnitsky, de 2012, usada pelos EUA contra aqueles que considera infratores dos direitos humanos.
"Agradeço a menção ao meu pai, Pres. Jair Bolsonaro, e o apoio do nobre Deputado americano Richard McCormick (Rep.-Georgia). A perseguição política enfrentada hoje no Brasil, através da 'LAWFARE' (guerra judicial), está envergonhando nosso Brasil diante do mundo. É lamentável ver que as sanções Magnitsky, normalmente reservadas para DITADURAS e violadores de direitos humanos, agora estão sendo consideradas contra autoridades do nosso país", diz Eduardo, como se não tivesse articulada a sanção ao Brasil com o deputado estadunidense.
O conluio foi tanto, que o comentário se deu sobre uma publicação de McCormick feita na rede X menos de uma hora antes.
"O Juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes está armando o judiciário para fraudar a eleição de 2026, silenciando a oposição e protegendo o Presidente Lula. A acusação de Jair Bolsonaro não é justiça — é perseguição política, assim como o que foi feito ao Presidente Trump", diz o deputado americano, propagando a narrativa bolsonarista e ressaltando que "Moraes também é uma ameaça aos EUA, censurando empresas americanas, suprimindo a liberdade de expressão e violando a soberania digital".
Um pouco antes de Eduardo, Jair Bolsonaro foi às redes e comemorou a publicação, agradecendo "a solidariedade e consideração" do deputado republicano.
"É triste o que nosso país vem passando ultimamente. Esperamos que não chegue a um ponto mais extremo, por conta de alguns que se consideram deuses e acima da lei, colocando em risco toda a estrutura do nosso amado país. Deus os abençoe", afirmou o ex-presidente denunciado por golpe de Estado.
Bolsonaro também agradeceu ao senador republicano Mike Lee, do Arizona, que anunciou que viajará "para o Brasil no final deste ano com alguns dos meus colegas do Senado e pretendo fazer algumas perguntas difíceis sobre o Juiz Alexandre de Moraes e a suposta instrumentalização política do sistema judiciário brasileiro".
"Muito obrigado, Senador Mike Lee. Infelizmente, o Brasil foi convertido em um laboratório de ativismo judicial, abusos de poder e aplicação seletiva da lei para fins políticos", escreveu Bolsonaro às 23h46.
Ensinando Musk
Braço direito de Eduardo nos EUA, Paulo Figueiredo expôs na rede X uma troca de mensagens em que orienta Elon Musk sobre como usar o sistema financeiro para atacar Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
A conversa se deu por meio do perfil @realpfigueiredo, que foi bloqueado pela Justiça no Brasil, mas segue ativo nos EUA. A audácia do neto do ditador João Figueiredo, que mora nos EUA, fez com que ele divulgasse a troca de mensagens no perfil liberado no Brasil.
Musk pergunta em comentário no X se "Moraes possui propriedades nos EUA". Paulo Figueiredo entra na conversa e sinaliza como o bilionário, que é Secretário de Eficiência Governamental do governo Trump, como usar um órgão ligado ao sistema financeiro dos EUA para punir Moraes.
"Ele não precisa [ter propriedade nos EUA]. Assim que for adicionado à lista SNDC da OFAC, todas as instituições financeiras imediatamente fecham suas contas bancárias, incluindo as do Brasil, para que não sejam sujeitas a sanções secundárias. O presidente Trump pode fazer isso a qualquer momento, a seu critério, por meio da Lei Magnitsky", explica Figueiredo, que foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como membro da organização criminosa (orcrim) golpista.
Musk, então, responde: "Interessante".
Em comentário a uma seguidora, que disse que "sanções não derrubam ditadores", Figueiredo voltou à tona e sinalizou uma possível adesão das Forças Armadas brasileiras à conspiração dos bolsonaristas com os EUA.
"Derruba se o poder não estiver militarmente consolidado. Ou seja, funciona POR ENQUANTO", afirmou.
A orientação de Figueiredo a Musk parte da Lei Magnitsky, que foi criada em 2012, após os EUA acusarem a Rússia de torturar e matar o ucraniano Sergei Magnitsky.
Em 2008, o contador fiscal que acusou autoridades russas e autoridades policiais de roubarem US$ 230 milhões em deduções fiscais da Hermitage Capital, uma empresa de fundos de investimento e gestão de ativos especializada em mercados russos fundada pelo financista estadunidense Bill Browder e pelo banqueiro libanês Edmond Safra, dono do banco brasileiro Safra e que morreu em 1999.
No entanto, desde 2016, a lei é usada como álibi pelos EUA para punir aqueles que considera violadores dos direitos humanos, congelar seus ativos e proibi-los de entrar no país.
Figueiredo explica a Musk que, com a aplicação da Lei por Musk, Moraes entraria na lista de Cidadãos Especialmente Designados (SDN, na sigla em inglês, de Specially Designated Nationals and Blocked Persons) do Office of Foreign Assets Control (Ofac).
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros é quem aplica programas de sanções econômicas dos EUA, obrigando bancos e instituições financeiras de todo o mundo a seguirem suas diretrizes.
Entenda a conspiração de Eduardo Bolsonaro nos EUA