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CPI pedirá indiciamento de tio de Lucas Paquetá e de empresário "Rei do Rebaixamento"

Comissão do Senado que investiga manipulação de resultados terá relatório votado nesta quarta-feira (12)

Bruno Tolentino e seu advogado, durante depoimento na CPI no qual permaneceu em silêncioCréditos: Marcos Oliveira/Agência Senado
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O relatório final da CPI da Manipulação de Apostas do Senado será apresentado aos integrantes da comissão nesta terça-feira (11) e deve pedir o indiciamento do tio do jogador do West Ham e da seleção brasileira Lucas Paquetá e de mais dois empresários. 

Instalado em abril de 2024, o colegiado investiga a manipulação de resultados no futebol brasileiro envolvendo jogadores, dirigentes e casas de apostas. A redação do documento coube ao relator, senador Romário (PL-RJ). A CPI já tem outra reunião marcada para quarta-feira (12), às 15h, quando ocorrerá a votação do relatório.

Bruno Tolentino, tio do jogador Lucas Paquetá, deve ter pedido seu indiciamento por suspeita de envolvimento em um esquema de manipulação de resultados. Durante sua oitiva na comissão, realizada em outubro, ele optou por ficar em silêncio.

À época, o requerimento de convocação de Tolentino foi apresentado pelo presidente da CPI, Jorge Kajuru (PSB-GO). O tio do jogador teria lucrado com apostas que envolviam o recebimento de cartões por Lucas Paquetá durante os jogos.

Além disso, Tolentino e seu filho Yan teriam realizado uma transferência de R$ 40 mil a outro atleta, Luiz Henrique, campeão da Libertadores e do Campeonato Brasileiro pelo Botafogo, quando este atuava no futebol da Espanha. O dinheiro teria sido enviado no início de 2023, após partidas em que Luiz Henrique recebeu cartões amarelos.

'Rei do rebaixamento'

O relatório pedirá também o indiciamento do empresário William Pereira Rogatto, conhecido como "Rei do Rebaixamento" e preso pela Interpol, em Dubai, nos Emirados Árabes, em 8 de novembro do ano passado.

Em depoimento à CPI prestado em outubro, por teleconferência, ele admitiu a manipulação de jogos de futebol no Brasil e disse ter ganho aproximadamente R$ 300 milhões no esquema. Afirmou ter sido o responsável pelo rebaixamento de 42 equipes de futebol nos 26 estados e no Distrito Federal.

"O sistema é muito além disso, os grandes não vão cair nunca. Estamos falando de dentro da CBF, de dentro das federações, tenho provas e vídeos. Isso não vai dar em nada, vai fazer vítimas do sistema e, no final, não vai acabar porque não é de agora. Isso existe há mais de 40 anos, eu fiz parte do sistema. Se eu tiver que pagar, vou voltar para o Brasil e pagar. Eu sou só apenas uma ferramenta, o mundo do futebol é muito mais do que a gente pensa. Não vai dar em nada, a gente vai passar por isso, nunca vai acabar, a maior máfia está dentro da federação", apontou em seu depoinento.

Também será pedido o indiciamento de Thiago Chambó Andrade, empresário investigado pela Operação Penalidade Máxima, do Ministério Público de Goiás. Ele está preso e é acusado de aliciar jogadores para manipular resultados de partidas de futebol.

Com informações da Agência Senado

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