Autoridades australianas reportaram o aparecimento, nas praias de Waitpinga e Parsons, ao sul do país, de uma espuma "misteriosa", aparentemente responsável pelo adoecimento de mais de 100 banhistas e por levar à morte espécimes da fauna marinha local — entre eles, cavalos-marinhos, peixes e polvos.
A contaminação pela espuma começou nesta terça-feira (18), e as duas praias foram interditadas e fechadas ao público após relatos de banhistas afetados pelo estranho fenômeno, que afirmaram ter sofrido efeitos físicos ao entrar em contato com a espuma. Além disso, no dia anterior (17), diversas mortes repentinas de peixes foram registradas ao longo das praias.
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A espuma se espalhou rapidamente por toda a costa e cobriu centenas de metros, afirmou a Autoridade de Proteção Ambiental do Sul da Austrália. De acordo com Sam Gaylard, pesquisador à frente do órgão, que falou a um veículo de mídia local, foi um evento "não usual nessa escala", e "muito preocupante".
De aparência pesada e densa, a espuma vinha acompanhada de "um material verde e viscoso", descreveu um banhista, como narra o jornal The Guardian.
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Em contato direto com a espuma, o banhista descreveu seu efeito "como [o de] inalar um produto de limpeza potente".
Além dos peixes que apareceram sem vida na praia, a Autoridade de Proteção Ambiental do estado australiano também afirma ter recebido relatos de cavalos-marinhos levados mortos às praias pelas ondas, que se encheram de manchas avermelhadas com o efeito da propagação da espuma.
O fenômeno foi atribuído a uma proliferação de microalgas, disseram as autoridades, provavelmente devido às altas temperaturas registradas nos últimos dias. A região tem passado, desde o começo do ano, por eventos de seca e calor prolongados, e uma onda de calor marinho fez com que as temperaturas ficassem até 2,5°C acima da média, com pouco vento e ondas paradas a impedir a dispersão do fenômeno.
De acordo com o Bureau of Meteorology, parte significativa do sul do país teve média de chuvas muito menor em janeiro, e, em meados de fevereiro, a seca intensa fez com que diversas pessoas ficassem sem acesso à água.
Agora, os efeitos do calor estão sendo vistos no oceano e na proliferação exagerada de algas, que tendem a se desenvolver mais rapidamente em temperaturas maiores. As altas temperaturas favorecem a proliferação das algas marinhas, o que pode levar à diminuição dos níveis de oxigênio no ecossistema.