O Banco Central deve decidir nos próximos dias sobre uma bomba no sistema financeiro, que pode implodir o banco BRB, instituição pública controlada pelo governo do Distrito Federal, que anunciou na sexta-feira (28) a compra de 49% das ações ordinárias, 100% das ações preferenciais e 58% do capital total do Banco Master.
O Master, que recebeu uma proposta no valor de R$ 1 do BTG para assumir um rombo estimado em R$ 30 bilhões, pertence ao banqueiro Daniel Vorcaro, conhecido como "lobo da Faria Lima" pela sua petulância financeiro, que colocaria no bolso - dele e dos sócio - entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2 bilhões dos cofres que estão prestes a ser abertos pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF).
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Na prática, a transação visa entregar o controle do BRB para Vorcaro, atual presidente do Master que terá assento e pode assumir a Presidência do Conselho de Administração do BRB, caso o Banco Central dê aval à transação.
"É um escândalo a tentativa do governador Ibaneis Rocha de comprar por 2 bilhões de reais, através do BRB, um banco insolvente que quase foi vendido para o BTG por 1 Real. No mercado financeiro, o desespero do banco Master é traduzida pelo oferecimento de taxas de até 140% do CDI em seus CDBs para tentar, sem sucesso, captar recursos e evitar a à insolvência, a quebra da instituição.
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Essa operação vai quebrar o BRB e empurrar a conta deste absurdo para o povo do Distrito Federal. O Banco Central precisa impedir esse escândalo", afirmou Ricardo Cappelli, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), à Fórum.
Em vídeo nas redes, Cappelli, que atuou como interventor no GDF após a tentativa de golpe - que envolveu Ibaneis Rocha -, classificou o fato como "escândalo" e chamou a atenção das autoridades.
"O que é mais grave é que com esses R$ 2 bilhões não é para assumir o controle do banco. Ele [Ibaneis] está pagando por 49% das ações do banco. São R$ 2 bilhões para salvar o banqueiro quebrado amigo", alerta Cappelli.
Ligações nebulosas
Mineiro de Belo Horizonte, o "lobo da Faria Lima" tornou-se conhecido pela ostentação e por propagandear seus feitos, como a compra de 26,9% do Clube Atlético Mineiro como investidor da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Galo - ficando atrás apenas de Rafael e Rubens Menin, donos da construtora MRV, com uma fatia de 55,7%.
Vorcaro também comprou a mansão, de 3,5 mil metros quadrados, considerada a mais cara já negociada em Orlando, na Flórida, por US$ 37 milhões. Em outras ostentações, o banqueiro comprou uma outra mansão em Trancoso, no litoral baiano, por R$ 280 milhões, além de um jato no valor de R$ 80 milhões.
Em 2023, o dono do banco Master, em entrevista ao Valor Econômico, ainda se gabou de ter comprado o Fasano Itaim na “pessoa física” e de gastar R$ 15 milhões na festa de debutante de sua filha realizada no Condomínio Miguelão, na cidade de Nova Lima (MG). Só o bolo, feito em São Paulo e entregue de avião, foi estimado em R$ 25 mil.
Vorcaro tem como sócio no Banco Master o Baiano Augusto Lima que tem na atual esposa um elo direto com Ibaneis Rocha e o bolsonarismo.
Em janeiro de 2024, Lima se casou com Flávia Arruda (PL-DF), que foi ministra-chefe da Secretaria de Governo do Brasil na negociata de Jair Bolsonaro (PL) com o grupo de Ibaneis e do ex-governador do DF, José Roberto Arruda, em 2021. Após cumprir pena por corrupção, Arruda atualmente comanda o PL no Distrito Federal, dividindo a atribuição com a Damares Alves.
Antes de se tornar deputada federal, em 2019, e ser alçada ao ministério de Bolsonaro, Flávia foi primeira-dama do GDF durante o governo Arruda, de quem herdou o nome político.
O casal se separou em novembro de 2022, pouco mais de um ano antes de Flávia se casar com o sócio de Vorcaro.
Após ensaiar ser vice de Ibaneis na chapa à reeleição, em 2022, Flávia Arruda saiu candidato ao Senado, mas perdeu a vaga justamente para Damares Alves.
Com o casamento com Lima, Flávia abandonou o sobrenome do ex-marido e retomou o de solteira, Péres. Além disso, assumiu a presidência do instituto Terra Firme, uma ONG fundada pelo atual marido que diz atuar para a redução da desigualdade social na Bahia.