DESDOLARIZAÇÃO

Brics: Brasil deve propor sistema de pagamentos exclusivo do bloco em julho, diz jornal

De acordo com apuração, o projeto estaria sendo desenvolvido pelo Banco Central do Brasil em parceria com o Ministério da Fazenda

Bandeiras nacionais de membros do Brics.Créditos: free source
Escrito en ECONOMIA el

Após especulações sobre a criação de uma possível moeda comum para os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), motivadas por falas arrojadas de Putin sobre o futuro sombrio do dólar como moeda internacional, e as subsequentes ameaças de Donald Trump à iniciativa — "taxar 100% das exportações" desses países caso a proposta de desdolarização fosse à frente —, restou ao bloco uma proposta alternativa, mas ainda disruptora: um sistema de pagamentos blockchain, como o ACU-MIR (da Asian Clearing Union), que surgiu em alternativa ao SWIFT.

A tecnologia blockchain permitiria aos países do bloco simplificar o pagamento em transações comerciais multilaterais, expandindo o comércio entre si e representando uma alternativa ao dólar capaz de ameaçar sua hegemonia como moeda de referência internacional.

O Brics concentra até 40% do PIB mundial, informam dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços brasileiro, além de 22% do total global de importações e 26% de todas as exportações. 

O Brasil, que ocupa a presidência rotativa do bloco em 2025, quer levar a sugestão da criação de um sistema próprio de pagamentos à cúpula de julho, informa apuração do jornal O Globo. 

A ideia é usar a rede de pagamentos exclusiva dos Brics em "contratos de importação e exportação", viabilizando um sistema mais barato, seguro e eficiente para as trocas, com desenvolvimento vinculado ao Banco Central e apoiado pelo Ministério da Fazenda.

O projeto está em discussão, mas é de longo prazo, requer diálogos diplomáticos com os EUA — para não correr mais riscos de retaliação comercial por parte de Trump — e com os demais membros do bloco, dentre os quais há países menos inclinados a representar uma ameaça à soberania do regime dolarizado.

Dentre os benefícios de um sistema de pagamentos próprio, desenvolvido com tecnologia blockchain, estão a independência de sanções financeiras, a redução nos custos de transferência, uma maior rapidez nas transações com diferentes moedas e, ainda, uma conversão monetária mais eficiente, porque descentralizada.

Atualmente, o mais famoso de sistema de pagamentos integrado por tecnologia blockchain é o SWIFT, sistema de transações internacionais que funciona por meio de intermediários entre contas bancárias de diferentes países, mas em que o dólar continua a ser a moeda padrão das transações

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