De acordo com um estudo publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, o rover chinês Zhurong, o primeiro do país a alcançar outro planeta, como parte da missão Tianwen-1, que chegou a Marte em 2021, revelou traços de supostas praias arenosas primitivas no planeta, no local em que um grande oceano pode ter existido há bilhões de anos.
A existência do oceano, chamado Deuteronilus, remontaria a cerca de 4 bilhões de anos atrás, quando a atmosfera marciana era diferente do que é hoje: mais fina do que a da Terra, a atmosfera de Marte, que é 95,3% formada por dióxido de carbono (CO2), tem uma pressão muito reduzida e não consegue reter calor suficiente, o que o torna frio e hostil à vida.
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Bilhões de anos no passado, no entanto, Marte tinha uma atmosfera espessa e capaz de manter água líquida em sua superfície por longos períodos de tempo, durante o período chamado de Era Noachiana.
Evidências coletadas pelo rover Zhuronong sugerem que o oceano de água líquida que existia nas terras baixas a norte do planeta poderia, inclusive, abrigar organismos vivos.
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"O rover Zhurong pousou na superfície ao sul de Utopia Planitia [maior bacia de impacto de Marte], ao alcance de linhas costeiras propostas anteriormente", diz o estudo.
As investigações foram feitas a até 80 metros de profundidade, para capturar ondas de rádio e imagens de radar, e foram capazes de identificar, a cerca 35 metros da superfície, camadas de um material que se assemelhavam a areia, inclinadas na mesma direção e ângulo das praias como existem na Terra.
"Nós reconstruímos as estruturas sedimentares a partir dos dados de radar e comparamos sua geometria com análogos de ambientes costeiros terrestres", explicam os cientistas.
Para se formar, os depósitos de areia na costa dos oceanos devem ter levado milhões de anos. As inclinações e a ausência de canais fluviais na região investigada, além do volume de sedimentos na costa, sugerem um grande oceano marciano que pode ter evidências de vidas passadas, sobretudo de formas primitivas que existiam no ambiente líquido.
Outras descobertas de depósitos sedimentares e minerais hidratados já feitas em Marte pelo rover Curiosity, da agência espacial norte-americana, contribuem com as evidências que sugerem a possibilidade de vida microbiana anaeróbica nas águas superficiais do planeta quando existiam ali em seu estado líquido.