Uma substância usada para colorir alimentos artificialmente, o "Corante Vermelho n°3" (ou eritrosina), foi recentemente banida para uso em alimentos pela Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês), a autoridade de regulação correspondente à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) brasileira.
O aditivo sintético, que dá aos alimentos uma cor vibrante de vermelho, foi banido por pedidos coletivos de entidades de saúde norte-americanas por ter sido associado, em diversos estudos científicos, à incidência de câncer em ratos de laboratório.
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No Brasil, a substância é liberada e amplamente usada como corante sintético.
Já nos EUA, fabricantes de alimentos terão até janeiro de 2027 para se adequar à proibição e remover a eritrosina das fórmulas.
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Apesar de os estudos existentes com a substância não terem sido realizados com humanos (apenas com ratos de laboratório), há uma cláusula na legislação da FDA, a "Cláusula Delaney", que proíbe a utilização de aditivos com efeitos comprovadamente cancerígenos em humanos ou animais.
Os efeitos avistados nos estudos científicos com a eritrosina apontam, além do potencial cancerígeno, para interferências nas funções de hormônios da tireoide, o surgimento de tumores e alergias e a associação a problemas digestivos nos espécimes de laboratório.
Nos EUA, a eritrosina faz parte da composição de pelo menos 16% dos chicletes, 11% dos biscoitos e 13% das balas, como noticia a Revista Veja. Ele já é proibido, desde 1990, para uso na indústria de cosméticos, então faz sentido que sua proibição alcance também a fabricação de alimentos ultraprocessados.
No Brasil, a Anvisa afirma que a decisão sobre a autorização dessa substância "está amparada em decisões da OMS (Organização Mundial de Saúde) e da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação)", mas deve reavaliar as informações em vista da nova decisão da FDA.
O Corante Vermelho n°3 é um derivado de petróleo (isto é, de compostos halogenados), e contém iodo em sua estrutura. Apesar de ser importante para o funcionamento do organismo e na produção dos hormônios T3 e T4, que regulam a função da tireoide, o iodo em altas quantidades pode superestimular a glândula, produzindo respostas autoimunes ou inibindo a produção de hormônios.