INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

21/01 - Dia nacional de combate à intolerância religiosa: saiba por quê

A intolerância religiosa é um problema recorrente no país, muitas vezes manifestada por atos de vandalismo contra templos, discriminação em espaços públicos e discursos de ódio

Busto com a imagem de Mãe Gilda de Ogum
Dia nacional de combate à intolerância religiosa: saiba por quê.Busto com a imagem de Mãe Gilda de OgumCréditos: SECOM / Governo da Bahia
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O dia 21 de janeiro foi instituído como o dia nacional de combate à intolerância religiosa no Brasil, por meio da Lei nº 11.635 de 2007. Esta data tem como objetivo conscientizar a sociedade sobre a importância do respeito à diversidade religiosa e combater a discriminação e o preconceito contra diferentes crenças e tradições espirituais.

A escolha da data não foi por acaso. Ela homenageia a Iyalorixá Gildásia dos Santos, conhecida como Mãe Gilda de Ogum. Em 1988, fundou o Ilê Axé Abassá de Ogum, um Terreiro de Candomblé na Lagoa do Abaeté, bairro de Itapuã, em Salvador. Mãe Gilda sofreu ataques e difamações causados por intolerância religiosa em 2000 que afetaram profundamente sua saúde e contribuíram para sua morte. O caso foi emblemático, trazendo à tona a necessidade de enfrentar a violência simbólica e física sofrida por religiões de matrizes africanas no Brasil.

A intolerância religiosa é um problema recorrente no país, muitas vezes manifestada por atos de vandalismo contra templos, discriminação em espaços públicos e discursos de ódio. Embora a Constituição Federal de 1988 garanta a liberdade de crença e o livre exercício dos cultos religiosos, muitos grupos ainda enfrentam dificuldades para praticar sua fé livremente.

Este dia é uma oportunidade para promover reflexão e educação sobre o respeito à diversidade religiosa. Iniciativas como debates, palestras e campanhas de conscientização são realizadas em todo o país para lembrar que a intolerância religiosa não é apenas um problema individual, mas também uma questão social que impacta diretamente os princípios de convivência pacífica e igualdade.

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa reforça a necessidade de construção de uma sociedade mais inclusiva e plural. Respeitar as diferentes formas de expressão religiosa é um passo essencial para combater o preconceito e garantir que todos possam exercer sua fé em um ambiente de paz e harmonia. A história de Mãe Gilda nos lembra da urgência de enfrentar a mentira, a violência e o preconceito, especialmente contra as religiões de matriz africana, que continuam sendo as mais perseguidas pela intolerância religiosa. Assim, o 21 de janeiro não é apenas uma data de memória, mas também um chamado à ação.

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