Admirador confesso da Ditadura e de torturadores do regime, Jair Bolsonaro (PL) "esqueceu" o 31 de Março de 1964 nesta segunda-feira (31) e voltar a pregar "anistia para todos os presos políticos do 8 de janeiro" nas redes sociais.
Essa é a primeira vez que Bolsonaro "celebra" o dia do golpe no banco dos réus, que pode levá-lo definitivamente à prisão pela tentativa de uma nova intentona, em 2022. No entanto, desta vez a ação criminosa não foi concretizada, levando a um inédito julgamento de ex-presidente e militares da alta cúpula a responderem pelos crimes diante do Supremo Tribunal Federal (STF).
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"Não podemos recuar. Temos que seguir exigindo liberdade e anistia para todos os presos políticos do 8 de janeiro", escreveu o ex-presidente em suas redes relatando mais um caso de prisão de golpista para gerar comoção nas redes.
Desde quando andava pelas margens da Câmara Federal, Bolsonaro celebra o golpe de 64. Em entrevista em 1999 ao programa "Câmera Aberta", da TV Bandeirantes, Bolsonaro fez declarações em defesa da Ditadura e da tortura que marcaram sua trajetória política.
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Indagado se fecharia o Congresso se fosse Presidente da República, ele não titubeou.
"Não há a menor dúvida, daria golpe no mesmo dia. Não funciona! Tenho certeza que pelo menos 90% da população ia fazer festa e bater palma. O Congresso hoje em dia não serve pra nada, xará. Só vota o que o presidente quer. Se ele é a pessoa que decide, que manda, que tripudia em cima do Congresso, então dê logo o golpe, parte logo pra ditadura", afirmou.
Na mesma entrevista, ele pregou o assassinato do então presidente, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), declarou que a Ditadura matou pouco no Brasil e afirmou seu desejo de que houve uma "guerra civil" no país, o que quase se concretizou quando tentou o golpe de Estado em 2022.
"Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada. Você só vai mudar, infelizmente, quando um dia nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. E fazendo um trabalho que o regime militar não fez, matando uns 30 mil. Começando com FHC, não deixando ir para fora, não. Matando! Se vai morrer alguns inocentes (sic), tudo bem", afirmou.
Presidência
Alçado à Presidência em 2019, Bolsonaro autorizou a comemoração do golpe pelas Forças Armadas. A informação foi confirmada em 25 de março pelo então porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, que afirmou que o presidente da República refuta o termo "golpe" para classificar a mudança de regime em 1964.
"O presidente não considera o 31 de março de 1964 [como] golpe militar. Ele considera que a sociedade reunida, e percebendo o perigo que o país estava vivenciando naquele momento, juntou-se, civis e militares. Nós conseguimos recuperar e recolocar o nosso país num rumo que, salvo melhor juízo, se isso não tivesse ocorrido, hoje nós estaríamos tendo algum tipo de governo aqui que não seria bom para ninguém", afirmou
Rêgo Barros ainda informou que Bolsonaro já havia determinado ao Ministério da Defesa que fizesse as "comemorações devidas com relação ao 31 de março de 1964" e que uma ordem do dia (mensagem oficial) já havia sido preparada e recebido o aval do presidente.
A partir de então, a data foi comemorada todos os anos pelo governo, até 2022. Naquele ano, quando Bolsonaro tramaria a tentativa de um golpe para chamar de seu, o Ministério da Defesa afirmou em uma ordem do dia que o golpe foi um "marco histórico da evolução política brasileira", e que a história "não pode ser reescrita, em mero ato de revisionismo, sem a devida contextualização", citando o medo de que um "regime totalitário" fosse implantado no país, então governado pelo presidente João Goulart, democraticamente eleito.
O texto, assinado pelo general Walter Braga Netto - que foi candidato a vice e também está no banco dos réus junto à cúpula da quadrilha golpista - diz ainda que a Ditadura foi "um período de estabilização, de segurança, de crescimento econômico e de amadurecimento político".